domingo, 27 de março de 2011

Anne Sofie, Brad, Grieg, a Primavera...

O concerto de ontem teve altos e baixos.

O pior, mesmo mauzinho :( , foram as canções compostas por Meldau, na 2ª parte. O senhor pode ser muito bom improvisador ao piano, mas não sabe compor nem tocar por pauta. Chato, académico, desinspirado; incomodou sobretudo a desagradável insistência em terminar as frases melódicas (cada verso) por uma nota prolongada em vibrato. Doooooown. Loooooong. E o vibrato de Von Otter nem é muito mau, mas cansa.

Para despachar a parte má, falta a desastrosa tentativa de agradar ao público portuga , cantando em ... brasileiro. Mas que mania. Era escusado, von Otter não domina minimamente a língua, cantou com uma folhita que devia ter a transcrição fonética, sem perceber o significado de cada palavra. Nem sequer tinha treinado os mínimos. Saiu muito, muito mal. (Insensatez)

Foram em geral conseguidas as interpretações das canções de Grieg, Sibelius, Brahms e Strauss, na 1ª parte. A voz de Anne Sofie von Otter está muito agradável, perdeu grande parte do timbre anasalado que me desagradava nos agudos, mas em boa verdade ela também controla lindamente esses agudos, cantando-os preferencialmente em pianíssimo. Não teve uma única falha que eu desse conta, consegue não sei como uma excelente projecção de voz sem o mínimo esforço, previlegiou sempre a elegância da dicção e da expressão.

Um dos pontos altos:

Våren (Primavera) , de Grieg

Sim, uma vez mais o inverno se retira
para dar lugar à primavera
as sebes há pouco carregadas de botões
estão de novo floridas

Mais ou menos assim:


para comparar:

Barbara Bonney



Karita Mattila


Kirsten Flagstad, talvez a melhor...


Pelo contrário, Meldau não foi além de um pobre academismo. Não é um pianista de formação clássica, não está totalmente à vontade a tocar por pauta. Foi um acompanhante muito eficaz e competente, mas sem personalidade nem expressão própria.

A finalizar, outro ponto alto: lindas homenagens a canções dos bons tempos, interpretadas com tocante sensibilidade clássica; Barbara, Joni Mitchell (Michael from mountains), McCartney (Blackbird), Michel Legrand (Les moulins de mon coeur):

Une pierre que l’on jette
Dans l’eau vive d’un ruisseau
Et qui laisse derrière elle
Des milliers de ronds dans l’eau
Au vent des quatre saisons
Tu fais tourner de ton nom
Tous les moulins de mon cœur

Aqui sim, Mehldau deu um ar da sua graça, em variações improvisadas que contagiaram o público.

Sala completamente cheia, público atento e dois encores.

2 comentários:

Paulo disse...

Já receava que a sua apreciação fosse nesse sentido. Percebo que a Von Otter se divirta com as canções dos Abba, com Elvis Costello ou com Brad Mehldau. Eu é que a prefiro noutro tipo de registo.


(Flagstad, claro.)

Gi disse...

O Paulo o disse, eu subscrevo.