sexta-feira, 13 de julho de 2012

Moonrise Kingdom e o gosto de ler

Uma das coisas que me fascinaram no filme foi a atracção pelos livros e pelo acto de contar histórias. Sempre que Suzy abre um livro, o momento é solene, quase sagrado. Eis um vídeo engraçado, com o incrível narrador (outro achado genial), sobre os livros do filme:



Também a música tem um papel fundamental no filme, desde o Young Person's Guide to Orchestra e o Noye's fludde de Britten até à canção de... Françoise Hardy (le temps de l'amour). Como não ficar rendido a um filme que adora livros e música ? :)

Há muitas imagens que certamente guardarei para sempre na memória; por exemplo, a de Suzy no alto do farol perscrutando a ilha com os binóculos - a procura da "lonjura" (no espaço e no tempo), do "outro", porque o aqui e agora é feio e triste. Imagem que vale 1000 palavras, sim.


Um filme afinal feliz, onde as tragédias de vida quase sufocantes, que encercam mas não conseguem derrotar a aventura, são distanciadas com um sorriso melancólico.

E o final não é happy end, é open end, como deve ser.

5 comentários :

Virginia disse...

Concordo com a originalidade do filme em relação à leitura e à musica, aliás ele passa-se numa altura em que não havia telemoveis, nem computadores, tinha de revelar os gostos da época e fá-lo bem.

Lembro-me de passar tardes a ler e a ouvir múica clássica na minha adolescência.

A alusão à leitura não tira os clichés do filme - os meninos incompreendidos que querem fugir de casa e os adultos burros que não são capazes de os encontrar sem fazer estragos - o happy end é mesmo um end - deixa-nos acabar com o filme, que a história já deu o que tinha a dar - .

Há imagens que ficam na memória...mas é só.É um filme cor de rosa, embora o tom que fique na retina seja o amarelo caqui.

Lembro-me dum filme sobre o tema bem melhor que se chamava: Wild Life ou algo parecido e que adorei na altura, por ser mesmo verosímil.

Abº

Virginia disse...

Lembrei-me agora do nome do filme espectacular que li sobre um miudo que foge de casa. Chama-se Into the Wild. É magnífico, sem clichés e também com uma paisagem extraordinária.

Mário disse...

Não vi, Virgínia. As referências que tinha na altura não eram tentadoras. Obrigado, vou tentar aranjar.

Moura Aveirense disse...

O filme é lindíssimo, adorei! Desde os livros, passando pela música, trouxe-me várias memórias da minha infância (os livros que eu devorava da Biblioteca do Escuteiro Mirim LOL)... e aquele barulho imenso dos adultos, uma metáfora à sociedade atual, em que há tanto ruído,e as crianças andam lá pelo meio, a tentarem segurar-se...

Mário disse...

Re-bem vinda, Moura, já tinha saudades !

Já vi 2 vezes; e a leitura de facto é enriquecida à segunda - muita coisa que a atenção à narrativa nos faz perder à 1ª é valorizada à 2ª: como Wes Anderson valoriza a movimentação corporal, como Bruce Willis está fabulosos num dos melhores papéis da sua carreira, com que sábio sentido de oportunidade surge o narrador para dar ritmo à montagem, com que economia de palavras toda a história dos pais da Suzy é percebida numa breve conversa à noite na cama... e os movimentos da câmara, quase sempre transversais ou em profundidade, quase nunca diagonais, estabelecendo um espaço em quadrícula como num jogo de xadrez...

Não é só um filme: é Cinema.