terça-feira, 9 de outubro de 2012

Este governo ou outro?

Por mais malvadezas que sejam praticadas contra o contribuinte em nome da crise, não consigo acreditar nem alinhar com aqueles que se dizem oposição radical ou alternativa e que de facto só têm a propor uma albanização rápida do país - via caloteira, bancarrota, vendas ao desbarato, saída do euro, abandono da Europa, aliança afro-brasileira. Há até quem advogue uma solução Chávez.

Tivemos a infelicidade de votar (quem votou) e eleger duas personagens criançolas, que sem sabedoria, maturidade ou experiência, alcançaram o poder pela amaldiçoada via da ascenção partidária e clientelista: Passos Coelho e Miguel Relvas. Parecem brincar na governação, como quem joga um jogo, arriscando perder ou ganhar sem uma estratégia consistente.

Nao tenho dúvidas da seriedade pessoal e sinceridade de convicções de Passos Coelho. Ele não é outro Sócrates. No carácter, deixa a milhas muita gentinha famosa da oposição que tanto contra ele berra. Mas numa situação aflitiva como a que passamos, não é homem para estar ao leme, nem para ser grumete. E perdeu toda a confiança da tripulação.

Partindo daí, não me parece que possamos ter melhor governo que este. Na Saúde, na Justiça, na Economia, na Educação, nas Finanças, na Administração Interna e na Agricultura e Pescas estão pessoas sérias e respeitáveis, sabedoras e convictas. Têm prestígio e currículo difícil de igualar. Não se consegue melhor neste país, não no PS, muito menos noutro lado. É escusado ter ilusões: só podem ser trocados para pior.

Como não se pode remodelar o PM , resta o remodelável Relvas. Se ele sair, não vejo mesmo razão nenhuma para deitar abaixo um governo que nos vai ao bolso de forma indecente, iníqua, mas com razões de extrema aflicção que compreendo. Podia fazer melhor, sim. Pode-se sempre. Mas não confio em ninguém do PS para isso. Nem quero pagar inúteis eleições.

Finalmente, a Europa. Hesita entre exigir rigor e ser solidária. Também compreendo - ao desbaratar os fundos que recebemos, fomos altamente não-solidários: o dinheiro não era nosso, era de outros povos, tínhamos de o poupar, e respeitar quem no-lo facultou.  Mas quando o "castigo" cai, não mais sobre a clique governante, não mais sobre a banca irresponsável e gananciosa - que devia, ela sim, pagar a crise quase por inteiro -  mas sobre os cidadãos menos abonados, então a Europa tem o dever de estar atenta a uma necessidade de ajuda solidária. Conseguir conciliar as duas coisas é tarefa que se exige aos dirigentes deste espaço de cultura e inteligência que é a União Europeia: difícil será, mas temos gente à altura com certeza. Ou não somos Europa.

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