sexta-feira, 23 de agosto de 2013

As torres gémeas de Reculver


Na minha recente visita ao Kent, pensava conseguir aqui chegar, mas afinal era demasiado longe e fez-se tarde ainda estava eu em Rochester. Fica aqui uma reportagem com vários recursos encontrados na net*.

As torres de St. Mary Church, em Reculver, na costa norte do Kent.

A invasão romana da Britannia pode bem ter tido lugar por estas bandas. Em 43 AD, quando se instalaram na ilha, os romanos construíram um pequeno forte neste local, que deve ter tido um papel importante, e que foi aumentando progressivamente ; no séc. II já era um Castrum, designado por Regulbium. Era uma fortificaçao quadrada de 180 m de lado e cantos arredondados.

Plano do Castrum, conforme as escavações arqueológicas, com quase metade já submersa pelo mar.

Dentro do forte havia arruamentos, quartel, casas (muitas em madeira),lojas, dormitório, e um banho. Há documentos que referem uma ocupação de 500 homens.
Talvez o documento histórico mais valioso de Reculver: atesta que o então governador Fortunatus dirigiu a construção da Aedes (santuário) e da Basilica do forte, sendo à época Triarius Rufinus o governador da Britannia Superior, ou seja entre 210 e 216 DC.

Um dos troços de muralha ainda de pé.

Quando os romanos se retiraram, já no século V, Reculver passou a propriedade do reis anglo-saxónicos do Kent e foi integrado na cadeia de defesa costeira dos saxões contra as investidas de piratas e franceses.

Em 669 DC o forte foi cedido para a construção de um mosteiro beneditino dedicado a Santa Maria, com uma igreja ao centro que veio a ser a igreja paroquial de Reculver. As duas altas torres só foram erigidas durante uma remodelação no século XII.


Na Idade Média, Reculver já era uma vila vibrante, com mercado semanal e uma feira anual.
Reculver num mapa de 1685: o mar já está raso à muralha. A vila cresce fóra, mas St. Mary permanece guardada no interior do antigo forte.

Um espantoso desenho de 1813 mostra parte da muralha já suspensa pela erosão do terreno que a sustentava.

Mas a igreja medieval viria a ser demolida em 1809, devido ao forte impacto da erosão da costa que a ameaçava perigosamente. Ficaram as torres como sinal de perigo para os navegantes.

As torres só existem ainda devido à forte protecção construída contra o avanço do mar; senão toda a área teria já desaparecido.

O avanço de mar nesta região foi catastrófico. A vila, e com ela parte do forte romano, estão submersos e já afastados da linha de costa actual. Mas ainda se vê boa parte da muralha e algumas ruínas interiores.

Chegaram até hoje as chamadas torres gémeas (twin towers), que se tornaram referência para marinheiros por se avistarem a grande distância.

Coordenadas: 51.38°N, 1.20°E

Vestígios arqueológicos: Museu de Herne Bay

Neste pequeno museu está a maioria do escasso espólio encontrado em Reculver: cerâmica, esculturas, armas, moedas, utensílios.

Este mármore representa talvez um deus marinho segurando uma rede, ladeado por um peixe, uma planta aquática, uma rã e ouriços do mar. Foi encontrado na praia de Reculver.

Estão ainda na cripta de Canterbury duas colunas romanas posteriormente utilizadas para suportar arcos da igreja saxónica.

A sensaçâo de solene grandeza quando as torres se agigantam em contraluz ao pôr do sol parece lembrar que ali se fez História.


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