domingo, 25 de agosto de 2013

Vozes, rostos e estratégias editoriais


Anda por aí uma competição doida pela popularidade (logo, vendas ) das caras lindas do canto lírico. De tal modo que os autores (compositores) nem interessam nada - deixaram de figurar na capa.


O duelo Netrebko / DiDonato começa a ser coisa de doidos, e a publicidade aos discos que estão para sair já ultrapassa o que se faz com estrelas do pop/ rock. O mau gosto, como não podia deixar de ser, já levou a melhor sobre o suposto bom gosto do reportório ou a beleza do timbre - agora vale tudo. E começa a ser irresistível a minha tentação de nem sequer os ouvir.


O mesmo com Kaufmann, claro, o menino bonito contraponto às mulheres fatais. As poses de uns e de outros tornam-se de tal modo irritantes que me dá ganas de os mandar ver se chove.

Anda tudo a vender o corpinho bem feito e a cor dos olhos, tal como os encenadores apostam também na sensualidade que vende, e vai a música clássica de entrar numa comercialização similar à que matou o pop/rock. Até o Dudamel, que é um maestro abaixo de medíocre, já vende pela imagem,.

Agora veio um estudo idiota (ou não) dizer que, quando apreciamos música cantada, conta mais o que vemos do que o que ouvimos. Pode ser que certo público fútil e imbecilizado vá ouvir a Fleming  pelos olhos ou pelo decote; quem gosta de música continua a preferir gravações (sem imagem) dos anos 50 e 60, ou as feiotas Sutherland e Horne. Isso sim, eram vozes.

Não teria jeito negar que uma bela voz só fica a ganhar num rosto expressivo e atraente. Daí a inverter critérios... mas nada que seja assim tão novo, afinal já a Callas e a Tebaldi alimentavam paixões.

7 comentários :

João Alves disse...

Quando oiço e vejo Sutherland ou a Horne (na tv, claro), apaixono-me sempre. A voz é tal que acabo por as achar autênticas deusas. É sempre a música que as torna belas.

Mário disse...

Tem toda a razão, João Alves, e as/os cantantes de hoje têm menos de deuses e mais de starlets.

Gi disse...

O cd de Verdi de Kaufmann vou provavelmente comprar. O da Netrebko, que já ouvi parcialmente, não me parece. O da Joyce, que é uma compilação, se calhar também não, embora o possa oferecer.
Mas não gosto da Sutherland, e adorava ouvir a Tatiana da Netrbko.

Mário disse...

Gi,

Sei que são das melhores vozes que andam por aí a cantar ópera, não é isso, é o culto da vaidade física e o seu aproveitamento mercantil.

Mário disse...

Ah, e o CD de Verdi do Kaufmann é uma desilusão...

Paulo disse...

E o da Netrebko é outra.

Mário disse...

Já só falta um para a desgraça ser completa :(