quinta-feira, 17 de julho de 2014

Ilhas inesquecíveis, ilhas sem nome, ilhas afortunadas


Ilhas.
Aleutas, Faröe, Kerguelen, Diomede.
Ellesmere, Saaremaa, Lofoten, Pribilof.
Adelaide, Elephant, Deception, Jan Mayen.

Ilhas poesias.

Îles
Îles
Îles où l’on ne prendra jamais terre
Îles où l’on ne descendra jamais
Îles couvertes de végétation
Îles tapies comme des jaguars
Îles muettes
Îles immobiles
Îles inoubliables et sans nom
Je lance mes chaussures par-dessus bord car je voudrais
bien aller jusqu’à vous


Blaise Cendrars, Du monde entier au cœur du monde,1924



As ilhas afortunadas

Que voz vem no som das ondas
Que não é a voz do mar?
É a voz de alguém que nos fala,
Mas que, se escutarmos, cala,
Por ter havido escutar.

E só se, meio dormindo,
Sem saber de ouvir ouvimos,
Que ela nos diz a esperança
A que, como uma criança
Dormente, a dormir sorrimos.

São ilhas afortunadas,
São terras sem ter lugar,
Onde o Rei mora esperando.
Mas se vamos dispertando,
Cala a voz, e há só o mar.


Fernando Pessoa, in Mensagem

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Há muita escolha do 'que levar', mas
'que trazer' da ilha deserta, senão poesia ?



1 comentários :

Gi disse...

Tem razão, Mário.

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