domingo, 16 de novembro de 2014

GuiJazz 2014: Lee Konitz, e a Trondheim Jazz com Joshua Redman


Guimarães continua uma preciosidade quase única por cá. Agenda cultural, espaço histórico, museus, comodidade urbana, comércio variado e abundante com algumas lojas 'de culto', muitas delas alimentadas pela indústria e artesões locais. É a minha nº 1 para compras de Natal, muito melhor que qualquer shopping, com a vantagem de ar livre, espaços bonitos e cafés onde até se pode ainda fumar. A gentileza das gentes, que sempre atendem bem dispostas e afáveis, é outro ponto forte.

Ainda para mais, tem um dos poucos eventos nacionais de topo, frequentado por verdadeiras elites, o melhor que se faz nessa arte : o Guimarães Jazz.

Este ano escolhi ouvir Lee Konitz e Joshua Redman, ambos saxofonistas de estilo ó quão diferente, o segundo acompanhado por uma orquestra de jazz de dimensão média e origem muito nórdica - a Trondheim Jazz Orchestra (*).

Sei pouco de jazz, aprecio como sou capaz de apreciar música em geral - a qualidade da execução solista e de conjunto, os diálogos entre partes, a estrutura da peça, temas, invenção harmónica e rítmica... (já que de melodia o jazz é menos produtivo). De nomes, história e referências sou uma quase nulidade, e escolho concertos ouvindo primeiro algumas amostras a ver se me agradam ( a não ser que seja um daqueles monstros sagrados, Gary Peacock, Paul Motian, John Surman, Garbarek...).

Lee Konitz deu um concerto muito bonito, suave e melodioso, usando os tons mais macios e doces do saxofone e fazendo jazz quase clássico, com swing na secção rítmica, muito nova-iorquino. Sempre discreto, as entradas do sax nasciam quase despercebidas do silêncio, eram primorosas no progressivo atingir de virtuosismo sem nunca se mostrar exibicionista. Gostei muito, mas menos da disposição de Konitz para cantarolar. Parece que é um toque / tique pessoal.


A orquestra de Trondheim, dirigida por Eirik Hegdal, começou num quase caos modernista, podia ser Stockhausen, e desagradou ; mas à terceira peça já eu fiquei rendido ao fenomenal domínio técnico e à execução de Redman, que aos poucos foi mostrando o que vale - bem mais ousado, provocador e estimulante que Konitz; em regra as entradas do que eles chamavam "songs" eram o tal caos ruidoso, às vezes com toques de humor, mas depois evoluía para "andantes" ou "adagios" de extrema beleza.

Até que se meteram a tocar Bach e, por mal dos meus pecados, foi um desconchavo. Escusado. O melhor momento, de grande beleza, foi um tema pausado com acompanhamento nas cordas a marcar o ritmo (violoncelo e contrabaixo) e com solos de violino, guitarra eléctrica (Nils-Olav Johansen, muito bom) e saxofone.

Uma excelente e agradável variante aos concertos da Casa da Música - e já agora, o Centro Cultural Vila Flor ganha em toda a linha - conforto, acessibilidade, serviços e preços.



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(*) Trondheim é uma das mais bonitas cidades da Noruega, muito perto do círculo polar ártico.

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