sábado, 17 de janeiro de 2015

Elisabeth Leonskaja com Ainars Rubikis: brilhante !


Pessimismo desmentido: nenhum dos meus receios se concretizou no concerto desta 6ª feira na Gulbenkian. E sobretudo a articulação e o entrosamento entre a pianista e a direcção de orquestra foram perfeitos - perfeitos como é raro acontecer. Apesar da diferença de idades, Leonskaja e o letão Rubikis entendem-se musicalmente às mil maravilhas, talvez com uma pequena tendência do maestro para contenção e timidez, ao contrário do que eu tinha lido.

A orquestra Gulbenkian foi tão bem dirigida, tão meticulosmente acertada com o piano extrovertido e intensamente romântico, às vezes explosivo, de Leonskaja, que posso afirmar, contente: esta foi a melhor interpretação que ouvi até hoje ao vivo das duas obras primas para piano de Brahms.

Talvez gostasse de um andamento um pouco mais rápido nos andantes sobretudo; houve um ou outro dedilhado demasiado seco onde ou gostaria de mais detalhe ou delicadeza; mas uma interpretação nunca é perfeita. Esta transmitiu de forma transbordante todo o pathos que há em Brahms, com particular entusiasmo da pianista, e conseguiu esse milagre raro de acerto milimétrico entre entradas da orquestra e do piano - muitas vezes mal tratadas - e que resultaram mesmo por vezes surpreendentes, como se nunca antes tivesse ouvido 'aquele' sublinhado nas cordas, 'aquele' staccato onde não se esperava e que resulta tão expressivo.



No final, o entusiasmo foi recíproco - a pianista não se cansava de agradecer efusivamente ao amigo Rubikis, e igualmente às secções da orquestra, as cordas graves, os sopros - divinalmente executados ! De brinde, ofereceu  a repetição do allegretto final do 2º concerto.

Ganhou Brahms, de forma contundente ! Que grande música esta.


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O concerto foi gravado, provavelmente passará no Mezzo. Sala esgotada, poucas tosses.





5 comentários :

Gi disse...

Ou seja, excepcional em todos os sentidos.
Ainda bem.
Gostasse eu de Brahms...

Mário Gonçalves disse...

Está na altura, Gi, não quer 'começar' a gostar ? Há os "monstros sagrados " - Bach, Handel, Beethoven, Mozart - e depois há os que sabe sempre bem descobrir, como Haydn, Telemann... e Brahms.

Wu Liang disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mário Gonçalves disse...

Obrigado, Wu Liang, deu-me a reviver um momento muito especial.

Wu Liang disse...

De nada ^_^

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