quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Enfim, o Palácio dos Marqueses de Fronteira:
vermelho, verde e muito azul.


Andava há anos à espera de oportunidade para visitar este Palácio em S. Domingos de Benfica, na orla do Parque de Monsanto. Não fica longe da Gulbenkian mas, não havendo Metro por perto e estando de chuva, preferi uma curta corrida de táxi.

A frente renascentista do Palácio (séc. XVII).

A última visita diária é ao meio-dia; o céu alternava nuvens velozes com boas abertas de luz, o que acabou por jogar a favor na visita aos jardins, os azulejos molhados reflectindo o sol de Inverno.

Construído em 1671, o Palácio era frequentado apenas no Verão, como pavilhão de caça, pois na altura estava rodeado de mata. Os Marquês residia na baixa lisboeta, mas foi desalojado pelo terramoto e tsunami de 1755 e teve de estabelecer residência no Palácio, que era muito frio (voltado a nordeste !) e desconfortável. Procedeu então a obras de ampliação (uma ala nova virada a sul) e melhoramentos vários; o arquitecto encomendou a decoração da parte superior das paredes (então nuas) a mestres estucadores na tradição italiana.



A 'loggia' envidraçada é também biblioteca, com a melhor vista sobre o jardim.


Detalhe da biblioteca.
[Não é permitido fotografar no interior - estas fotos não são minhas...]

A maior riqueza do palácio são os muros e paredes revestidos de azulejo do séc. XVII e XVIII; nalgumas salas, o azulejo cobre a faixa inferior, com mais de metro e meio de altura, tendo a parte superior sido revestida, já no século XVIII, com painéis de estuque e pintura em pastel à maneira italiana.

A Sala das Batalhas

É talvez a mais bela, onde se realizam eventos e recebem convidados.


Os azulejos representam cenas de guerra da Restauração, que o Palácio homenageia.

Sozinho a enfrentar todo um exército (espanhol, claro).


A Sala dos Painéis, agora utilizada como sala de jantar :


Sala revestida por seis painéis de azulejos holandeses do séc. XVII, atribuídos a Adrtiaen e Jan van Oort. Sobre o estuque da parte superior há retratos da autoria de pintores portugueses.

Cena pastoril

A combinação do azulejo com o estuque é visualmente algo estranha, mas percebe-se como várias épocas e tipos de residência justificam as duas opções.

Para mim, o encanto maior é o complexo de terraços e jardins exteriores; e a partir daqui muitas das imagens são minhas.

Reflexos dos azulejos ainda molhados da chuva, no início da Galeria das 7  Artes.

A Galeria das Artes, com a Capela de arquitectura renascentista ao fundo, a mais antiga edificação do complexo (séc XVI).

Os medalhões representam imperadores romanos, as estátuas são entidades mitológicas.

A Poesia, arte extra !

Mas muitos dos painéis de azulejo representam cenas pícaras, outros constituem sarcasmos grotescos.




No Jardim grande, dito "formal", com a famosa galeria sobre um tanque de água, também abundam estátuas da mitologia greco-romana e painéis de azulejos. A galeria é acessível por duas belas escadarias com esculturas que terminam em torreões nos dois extremos; é uma solução de arquitectura de jardim algo rara e de belo efeito.

Vista do terraço da casa para Sul: o jardim e ao fundo a galeria dos 12 Cavaleiros (por baixo) e a Galeria dos Reis (por cima).


Se é assim no Inverno, o que não será num lindo dia de Primavera ?

Esplendor neoclássico.

Reis e Cavaleiros, um monumento à nacionalidade nobre e heróica.

O Tanque dos Cavaleiros.



A bela escadaria de acesso à galeria, do lado nascente, e o respectivo torreão.

Escadaria poente: um cuidado especial nas simetrias.

Galeria dos Reis - só faltam os Filipes, naturalmente.


Cuidado com o cisne feroz (sério!)


Fechem-se os portões, aqui ainda residem marqueses.
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Vista no 'Google maps': a casa à direita, virada quase a leste, o jardim muito geométrico, e ao fundo, a Sul, a linha de água do tanque protegida dos ventos pela galeria.



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