segunda-feira, 23 de março de 2015

Que sorte ! A Partita BWV 825 por Sokolov !


Amanhã na Casa da Música, uma daquelas pristinas esmeraldas de Bach, que se ouvem trezentas vezes e cada vez mais se admira. De uma riqueza melódica sem igual, ao nível das variações Goldberg, a capacidade de Bach para inventar e desenvolver um jorro de música nas teclas é de nos deixar sem fôlego. Por exemplo na Courante, ponto e contraponto, mão direita e esquerda, ambas a costurar melodias em ritmo alucinante. Ou na Sarabande, prolongando a frase para além do possível, a subir aos infinitos, e baixando em pausada espiral até à serenidade absoluta.

Vai tocar Grigory Sokolov, fica aqui por Murray Perahia, outro pianista que elegi como divino, sobretudo em Bach e Scarlatti.



00:00 - Prelude
01:59 - Allemande
05:06 - Courante
07:59 - Sarabande
13:02 - Menuet I & II
16:19 - Gigue


Depois, Sokolov tocará Beethoven (Sonata em Ré maior Nº 7 Op.10) e Schubert (Sonata em Lá menor, D. 784, op.143).
Peço desculpa, mas já não é a mesma coisa.
Falta saber ... dos 6 'encores' !

Calha aqui bem uma citação conhecida,

"Sem Bach, Deus seria uma criatura de terceira ordem."
                                              Cioran


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Maria João Pires, menos bem ou apenas diferente de Perahia, aqui.

2 comentários :

Virginia disse...


Fui a todos os concertos do Sokolov na Casa da Música O último não me entusiasmou, como aliás, não me entusiasmam os concertos de piano a solo naquela sala. É demsaido grande , há muito barulho do público e habituada a que estou a ouvir música no silêncio da minha sala ou com auriculares que me permitem ausentar-me do mundo, saio dos concertos desconsolada....

É claro que Sokolov é Sokolov.....mas não estou com pena de o perder desta vez, tanto mais que teria de ir sozinha à noite e não gosto....
Bom concerto!

Mário Gonçalves disse...

Piano nunca soa tão bem via hifi como ao vivo, Virgínia. Soa sempre a caixa.

Então por auriculares nem se fala. Precisa de respirar ar, de reverberar pelas paredes e tecto.

E depois há a vivência única do momento. Que pode ser um fiasco, claro.

Mesmo sozinho, eu iria a correr.