quarta-feira, 1 de março de 2017

Quando na Síria e Mesopotâmia os animais eram divinos, não os homens


O islamismo alucinado que se tem expandido nas terras do Crescente Fértil, a antiga Mesopotâmia, é - entre muitas outras coisas más - uma negação da História. Odeia os testemunhos de que antes de ser islâmica a população daquelas terras era - 1º mais civilizada que agora, e - 2º crente de variadas divindades não antropomórficas cuja mitologia primava pela ausência de qualquer espécie de Terra Prometida, neste mundo ou no outro.

Às vezes duvido se, nesta questão da fé e das mitologias, não andamos às recuas, num sentido contrário ao do progresso. É muito mais bonito, elegante, altruísta, evoluído, prestar culto a astros ou a animais ou às sereias do mar do que a vulgares homens investidos em deuses que apelam a uma guerra santa contra os das outras crenças semelhantes. Que estupidez. Terá sido culpa dos Gregos ?

Vem isto a propósito de eu ter deparado um dia destes, num outro blog, com um baixo relevo em placa de pedra de origem provavelmente assíria, encontrada nesta região e datada do século XIX A.C. :


Representa uma coruja com cabeça de homem. Tristinha, vá, pela sorte que lhe calhou, ou talvez seja maléfica. O mais interessante, além do fantástico design, é a inversão da ordem egípcia - animal com cabeça humana em vez de homem com cabeça animal - chacal (Anubis), falcão (Horus), carneiro...
Por outro lado também se distingue do mais comum pássaro com cabeça de leão (Anzu), e do bem conhecido touro alado assírio-babilónico, de cabeça humana; parece-me talvez mas aparentado à divindade filistina Dagan, peixe com cabeça humana.

Atribuíam portanto à coruja os dons de inteligência (?), consciência, moral e afectos próprios dos humanos, tornando-a por esse facto divina. Grande e belo conceito esse, face ao homem com cabeça de coruja - mais realista, prosaico e verídico; cabeça de galinha talvez fosse ainda mais apropriado, para caracterizar os actuais crentes numa fé qualquer em um homem-deus, salvador de uns e assassino de outros. E que em nome disso  escacaram o que restava de Nimrud.

Ruína de Nimrud: o "normal" homem com cabeça de pássaro. Mas o falcão de há 3000 anos daria hoje lugar a um galináceo. 
[Provavelmente destruído.]







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