terça-feira, 7 de novembro de 2017

'far above your azure plain' na Casa da Música


O ano britânico na Casa da Música tem sido um fiasco, mas finalmente aconteceu um meio-concerto de jeito e graças ao Dunedin Consort, que além de Huw Daniel - 1º violino da orquestra barroca que veio dar-lhe outra vivacidade - "emprestou" também o tenor Nicholas Mulray para uma 2ª parte (*) do concerto de domingo passado, dia 5.

A Orquestra Barroca CdM esteve bastante melhor do que era com Laurence Cummings. Huw Daniels sabe muito mais de música barroca, a secção de cordas está muito mais síncrona, dinâmica e atenta ao detalhe. O oboé de Pedro Castro foi também lindíssimo; vou ter o gosto de o voltar a ouvir já na próxima terça-feira.

Eu teria preferido outro tenor, de mais capazes agudos e floreados; não falta sensibilidade a Nicholas Mulroy, mas é uma voz fraquinha, sem graves nem agudos, de timbre feio. Mesmo assim ofereceu dois momentos excelentes, que aqui deixo ilustrados pelas vozes de Anthony Rolfe Johson e John Mark Ansley - a um nível muito superior, claro. Música de Handel 'above the azure plains'.

Where'er you walk, de Alcina

Where'er you walk
cool fans shall fan the glade
Trees, where you sit,
Shall crowd into a shade


Waft her angels through the skies, de Jephta


(*) Mais uma vez, tive de evitar uma 1ª parte de contemporanean garbage - James Dillon, Harrison Birtwistle e um tal Neto da Costa. Esta política correcta de impingir cacofonias e desarmonias a quem vai a concertos pela boa música clássica é uma desonesta vigarice. Que façam concertos para quem gosta disso, mas sem usar engodos.


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