domingo, 12 de novembro de 2017

'McGegan Day' na Casa da Música


Nicholas McGegan já é quase uma lenda: gravações que são referência de obras de Handel com a Philarmonia Baroque, a orquestra que recriou em S. Francisco, concertos esgotados por entusiastas, uma profunda sabedoria do seu ofício e uma agógica própria que fez escola. Teve ainda o mérito de escolher a saudosa Lorraine Hunt como soprano nas suas gravações de Ariodante, Susana e sobretudo Theodora.

Na cidade de S. Francisco, onde fez carreira, foi instituído um "McGegan Day" anual. Na Casa da Música tivemo-lo na sexta passada. Foi impressionante o que conseguiu com a Orquestra clássica: ataques das cordas de estarrecer, uma sincronia como nunca, destaque de todas as secções da orquestra salientando diálogos e contrapontos, uma nitidez e dinâmica bem contrastadas. Foi como se uma orquestra míope e com cataratas de repente recuperasse 100% da visão. Um espanto que não me lembro de nenhum outro director conseguir com tal eficácia.

É verdade que o programa não era de obras favoritas para mim. Disso tenho pena, mas a sinfonia nº 25 de Mozart parecia renascida, revigorada, nova !, e a nº 98 de Haydn também foi um primor absoluto. O senhor McGegan conduz com uma energia e expressividade notáveis, imagino que nos ensaios foi exigente com a orquestra e a treinou intensamente.

Notas do concerto pelo próprio:



Uma das obras executadas foi a suite de bailado Don Juan de Gluck. McGegan teve de pedir ao público que não aplaudisse a cada intervalo, eram treze andamentos...

Deixo uma pérola de entre muitas que McGegan produziu com Lorraine Hunt, sublime: Veni, o Figlio do Ottone de Handel.



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