quarta-feira, 25 de julho de 2018

Livros e CDs para o Verão


Fui deixando para Julho e Agosto uma mão cheia de livros e CDs, que não têm nada a ver com as listas habitualmente publicadas em jornais e revistas.

Quanto a livros, há os ligeirinhos e os não-tão-ligeiros-assim. Nos ligeiros, Le Dernier des Nôtres de Adelaïde de Clermont-Tonnerre (que nome tonitruante !) venceu prémios, é uma primeira obra, mas tudo indica que seja uma historinha leve e rocambolesca de (des)amores em Manhattan entremeada de um passado terrível de 2ª grande guerra durante a derrocada nazi.

Un Été avec Homère de Sylvain Tesson tem mais ambição - reler Homero com as notas de humor e reparos 'inteligentes' de actualidade de um autor que já conheço. Curiosamente, Uma Odisseia de Daniel Mendelssohn também vai por aí, mas mais à séria - pai e filho deambulam por Nova Iorque numa aventura urbana cheia de peripécias num épico também inspirado em Homero. Será engraçado comparar.

O mais sério deve ser Asymmetry de Lisa Halliday. Entre o ensaio e o romance, à volta de Ezra Pound e passado nos anos finais da guerra no Iraque, coloca questões sobre a compreensão da Arte e dos outros que pensam diferente de nós. O New Yorker gostou. Veremos.

Discos.

O ´ligeirinho' é muito fresco, de 2018, as árias que Anna Netrebko reuniu em Diva. Todas as divas são vaidosas, e aqui é bem o caso, Anna exibe a voz com fartura, sensualidade e excessos. Quem gosta de vibrato (bem controlado) fica satisfeito. Os maiore êxitos - Babbino, Casta Diva, Vissi d'Arte, Lakmé - mas também um surpreendente Padre, germani, addio de Mozart. A Casta Diva é inultrapassável, claro. Brava.

Dois barrocos quase perfeitos de gravação e de composição - Telemann com abudante flauta e viola de gamba (Helios, 2015), Boccherini com violoncelo (HM, 1994), interpretados com grande mestria. Zelenka e Pisendel são compositores surpreendentes da transição para o séc XVIII, e mal conhecidos; talvez as obras sejam 'menores' mas são muito agradáveis e soam a coisa nova, com a fantástica orquestra barroca de Freiburgo (HM, 1995). O concerto para violino e fagote de Pisandel, a sinfonia concertante de Zelenka, são pequenas maravilhas.

Finalmente, uma obra favorita - a 5ª de Sibelius - com a frescura nórdica, que por sinal este ano o até anda cálida. A interpretação de Osmo Vänskä para a BIS (1995) com a orquestra da Letónia tem sido escolhida como referência, que para mim ainda vai no saudoso Colin Davis. Mas este digital é suposto ser mais límpido, e inclui as duas versões, original e final - coisa rara.

Pronto. Já estou a ouvir.

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Em breve, o que vi nos museus de Viena....




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