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sexta-feira, 25 de outubro de 2024

Lendo Louise Doughy descobri Plockton, próximo do Eilean Donan


Aposto que nunca ouviram falar de Plockton.

Plockton nas Highlands, com palmeiras.

Nunca teria sabido da existência desta atraente aldeia escocesa se não fosse pela leitura de Bird in Winter, um thriller de agências de espionagem largamente acima da média da escritora premiada Louise Doughty. Lembra um pouco Portmahomack, que aqui mostrei recentemente, mas Plockton está na recortada costa oeste das Terras Alltas, frente à ilha de Skye, perdida num golfo recôndito do Loch Carron. Por ser adequada para esconderijo temporário é que foi escolhida pela protagonista do livro, em fuga de Birmingham: é que Plockton é a estação terminal de uma linha de combóio desde Inverness.

O sítio mais notável da região escocesa de Lochalsh é o fotogénico castelo de Eilean Donan. 

Plockton, Loch Carron, Lochalsh
 
Coordenadas: 57° 20′ N, 5° 39′ W
População: menos de 500
 

De fundação recente (1808), foi construída como aldeia piscatória modelo, um passado de que hoje apenas existe um porto de pesca de pequena escala. Mas a faixa costeira construída foi tão bem pensada e enquadrada que se tornou um pequeno paraíso de vilegiatura.  

Plockton começa em Bank Street, um caminho residencial de moradias iguais em fileira.
 
 
 
A povoação serpenteia ao longo do litoral de uma baía do Loch Carron, entre palmeiras e ilhotas arborizadas, que beneficiam de um clima bastante suave devido à corrente quente do Golfo que se dirige para a costa ocidental escocesa.

O cais ajardinado ao longo da baía oferece locais de pouso para disfrutar.

O núcleo principal é uma arco de baía de águas rasas, onde o casario segue a estrada em toda a extensão, numa fila contínua de casas na maioria brancas, com dois pisos e águas furtadas, voltadas o Loch. Toda essa frente construída data do século XIX. 

A rua principal, Harbour Street, organiza toda a povoação.

 
Há pouco mais do que duas ruas: uma rua frente ao Loch, Bank Street / Harbour Street, onde convergem vielas laterais; e outra paralela nas trazeiras, Innes Street, mais curta. O que marca a diferença é o 'arzinho' de ilha tropical conferido pelas palmeiras.

 
Harbour Street é ajardinada em toda a extensão do balcão sobre o Loch. Uma das ruas mais bonitas da Escócia.

Na rua transversal Innes Street fica a pequena igreja de Plockton, de 1828.



Também em Innes Street há uma galeria de arte, a Studio

 
Mas é em Harbour Street que há quase tudo - uma loja, o correio e quiosque, o restaurante, alojamento local.
 

 Craft Shop, jornais e artesanato, na esquina de Innes St. com Harbour St.
 
Plockton Shores, loja e restaurante. 
 
 
Uma casa que se distingue é o Plockton Hotel, de arquitectura igual às outtras mas de parede pintada a preto e branco imitando ardósia. 


 
Suponho que um dos atractivos do hotel são as vistas sobre o golfo e as pequemas ilhas.

Uma vista do Hotel sobre a baía, com parte da ilha de Eilean nan Gamhainn
 

Quanto a peculiaridades de Plockton, há dois sítios especiais. 
 
O primeiro, é uma 'igreja' a céu aberto:
 

A única e exclusiva "Open Air Church" - baseada numa lenda sem sustentação arqueológica: é um pórtico misterioso no meio do bosque verde da periferia, que dá passagem para um anfiteatro de relvados que mãos locais arrajaram à medida. Mas a gente de Plockton e muitos visitantes gostam de lá ir e ficar em recolhimento, ou dançar em rodopio como sílfides.

 
O acesso a partir da estrada faz-se por uma escadaria curva em pedra.
 
Era para ser uma igreja divergente, resultado de um cisma na greja da Escócia em 1843.


Passado o arco, estamos numa ampla ravina com chão de relva e ervasdaninhas cercado por muros de pedra, revestidos de fetos raquíticos e tojo. Tudo a descoberto, claro, isso é que marca a diferença.
 

No livro de Louise Doughty, é aqui que a protagonista desenterra um cofre deixado pela sua maior amiga, que lhe irá alterar a vida. Seguidamente, ela parte de volta para Inverness, pela bonita linha de Kyle. A fuga continuará.

Outro sítio especial é a pequena estação ferroviária, da era vitoriana, bem cuidada.

Plockton Station

As duas carruagens azuis da Kyle Line atravessam paisagens de lagos, colinas e floresta do oeste da Escócia.


 
 
Mas Plockton é sobretudo um local magnífico de pouso para visitar o superlativo Eilean Donan, a 15 km no afamado Loch Alsh.

O enquadramento ajuda a valorizar o castelo.
 

O castelo ficou ainda mais famoso e conhecido com as cenas de Entrapment (Armadilha), aqui filmadas.

 
O que vemos é uma reconstrução do século XX sobre ruínas abandonadas de um castelo do séc XIII, para defesa contra os Vikings. Em 1719, ocupado por espanhóis (!), foi conquistado e depois demolido pela Marinha Real.


terça-feira, 24 de maio de 2022

As minhas viagens alpinas, de combóio e de carro


Nunca fiz férias na neve, mas visitei algumas das estâncias mais frequentadas da Europa, algumas no Inverno. Gostava do tempo frio seco, mais fácil de aguentar, mesmo receando sempre uma queda no chão gelado. Foram visitas inesquecíveis, momentos de deslumbramento com a sensação de fazer parte dos sortudos deste mundo, mesmo que tivesse de contar os tostões para um café.

Gstaad
foi a primeira aventura, de combóio a partir de Genève, em 1993. Sol de Inverno, viagem mágica, com chegada sob luz quase poente porque era Janeiro e o dia é curto.


O centro, à volta da capela de St. Nicolas.Nikolauskapelle 1402



Começámos por sair do casario e subir uma estrada que levava a um miradouro sobre as montanhas. Queríamos aproveitar o resto da luz do dia para apreciar a paisagem alpina, a pouco mais de 1000m.


Quando regressámos caía a noite. Fomos lanchar a preços principescos - e mesmo assim com dificuldade em arranjar mesa.

A Promenade é a rua principal, feira de vaidades.

A capela de S. Nicolau estava mais bonita à noite. E foi correr para o último combóio de regresso.

Passei de ano em 2000, e muito bem, em Berna, e de lá fiz um programa alpino mais ambicioso: partimos de manhã cedo num combóio com destino ao Jungfrau numa viagem com vários trasbordos ferroviários via Interlaken, Lauterbrunnen, Mürren, Kleine Scheidegg, Grindelwald. Uma das paragens mais gratificantes foi em Kleine Scheidegg.

A viagem já fora prodigiosa, por entre picos rochosos nevados, aldeias de telhados sob cobertura branca, arvoredo semi-coberto de neve com gelo a pingar, as cores intensas com a dupla iluminação do sol e da neve.


Chegados a Kleine Scheidegg, intervalo para mudar de linha - daqui para cima é cremalheira. Tivemos mais de uma hora para passear e restabelecer calorias. A mais de 2000 m.



A seguir embarcámos no cremalheira amarelo para uma subida íngreme; via-se lá em baixo a estação e o vale nevado de Scheidegg.




Um ano muito bom, o 2000, a terminar um século onde se foi do pior ao melhor.´

O Observatório Sphynx e o glaciar Aletsch, o maior dos Alpes.

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No Verão, vai-se a paisagem branca e o ambiente quentinho dos interiores mas vê-se melhor a arquitectura e decoração das casas, e as ruas estão alegremente floridas. Kitzbuhel foi a favorita, perto de Salzburg; se pudesse voltava lá a passar uns dias. Infelizmente não tenho imagens de quando lá estive para mostrar.

Durante uma estada em Annecy em 2006, fiz uma extensão a Chamonix via Megève. Esta é uma pequena vila alpina de ruas e recantos inesperados.

A Place de la Mairie de Mégève, sempre com calèches à espera de turistas.

A torre da antiga moradia Capré, 'Tour du Demi-Quartier'.

A zona antiga  à volta do riacho Planay.

Haute Savoye, florida e de janelas com porta de tabuínhas.

Daqui a Chamonix é um saltinho; e lá não falta gelo na Aiguille du Midi e no Mont Blanc

Cá em baixo, lojas e hotéis; vale pelo fundo de picos montanhosos em redor.

Le Praz, uma zona de parque.

Mas quando se sobe lá acima aos picos...


A 3842 metros !


Ofegante com a falta de ar e o dramatismo quase sobrenatural... - hélas, nunca mais voltei às alturas.