quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Eu logo vi, OU os batoteiros do clima

Então vamos lá à cimeira de Copenhaga e às alterações climáticas. Cada vez mais me convenço que ainda não há verdadeira ciência feita sobre a questão. Há mesmo uma guerra aberta entre duas escolas - ambas aceitam as alterações climáticas, mas uma culpa exclusivamente o Homem e outra não. Uma vê a solução para o problema nas restrições à produção e ao consumo, outra só encontra solução em novas tecnologias que ajudem a minorar o fenómeno.

Claro que em Copenhaga domina a primeira tendência, a dos que acham que desde a revolução industrial a humanidade acumulou na atmosfera tal quantidade de CO2 que o aquecimento daí decorrente nos conduz a uma catástrofe abundantemente anunciada e dramatizada. Como diz o antigo redactor chefe da New Scientist, Nigel Calder, é mais uma religião que uma teoria. De facto, embora maioritariamente aceite, é ainda uma hipótese - não foi provada. Mas é com ela que nos bombardeiam nos media - TV e jornais adoram o lado catastrofista e de "reviralho social" deste cenário.

Do outro lado, os negacionistas, vistos como herejes e vendidos (às multinacionais, claro). Não só atribuem o maior peso das alterações a fenómenos naturais ( Sol, aquecimento vindo do interior do planeta, ciclos climáticos) como têem a desvergonha de anunciar que o aquecimento é passageiro (logo o CO2 não precisa de grande combate) e, suprema heresia, vivemos um ciclo de arrefecimento. Os glaciares não derretem "por cima", por aquecimento da atmosfera - mas "por baixo", por aquecimento da terra e do mar. Claro que nada disto está também provado - temos duas escolas, duas hipóteses.

Já tem havido dissidências e escândalos, provas de que o Greenpeace manipula dados e estatísticas como lhe convém, acusações desmentidas como "provocações de vendidos". Agora há mais um, e dos fortes. Chamam-lhe o "Climategate".

A 19 de Novembro, um "hacker" entrou no correio da organização No.1 da Europa no estudo do clima, a CRU (climate research unity) da Universidade de East Anglia. A CRU é o centro de referência a nível europeu da escola CO2-catastrofista, em estreita colaboração com a congénere americana, o Instituto Goddard da Nasa. Juntos constituem o mais sólido esteio da teoria "AGW", Anthopogenic Global Warming, que ditou a agenda de Copenhaga e é a base em que assenta o IPCC (Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas), entidade máxima internacional.


Pois o que revelaram as mensagens de correio espiolhadas pelo "hacker" russo (para que conste) ? Batota, muita batota. O director do CRU escreve por exemplo em 1999: «acabo de completar a astúcia de Mike na revista "Nature", juntando temperaturas reais em cada série para os últimos 20 anos (...) de forma a esconder a diminuição». Trata-se de uma imprevista diminuição de temperatura que estragava o estudo. Mais tarde, em 2005, quando um jornalista invocava o direito à informação para reclamar os dados meteorológicos obtidos pelo CRU, escreve: « prefiro destruir o ficheiro a enviá-lo a seja quem fôr.» Ou ainda: «Tive muitas dificuldades em equilibrar as necessidades da Ciência com as do IPCC, que nem sempre eram as mesmas».

Conclusão dos negacionistas: as teorias do IPCC estão falseadas com truques.

Só para esclarecer um pouco melhor: os dados de que se dispõe desde cerca do ano 900 D.C. levam ao seguinte gráfico (do IPCC) no decurso do útimo milénio:


Este gráfico de altos e baixos cíclicos torna ridícula a teoria de um súbito e forte aquecimento pós-revolução industrial. O MWP (Período Quente Medieval, em que a temperatura subiu alguns graus mais do que actualmente - e tornou a Gronelândia "Grøn", Verde, para os Vikings) e o LIA (Pequena Idade do Gelo, que os exterminou de frio) simplesmente dão cabo do panorama, tinham que ser disfarçados.

Se o IPCC de início aceitou os factos, rapidamente se viu na necessidade de os manipular para defender o seu modelo. Sucessivos "estudos", "melhoramentos" e "reconstruções" acabaram com os altos-e-baixos, substituidos por um gráfico em zig-zags verticais como num sismograma:

Vejam só como agora é evidente que a temperatura vinha diminuindo no milénio até que surge o fenómeno do aquecimento pronunciado desde 1900! Que milagre!

Mas a "batota" principal agora denunciada está na parte final (mais recente) do gráfico. Os pormenores são demasiado complexos para aqui os expôr (ver link abaixo), mas em poucas palavras : foram ignorados vários dados, estudos e modelos que NÃO apontam para aquecimento acima da média nos últimos anos, em favor de outros que apontam para um brutal aquecimento; sendo que estes não merecem mais credibilidade que os outros.

Portanto: aquecimento global antropogénico, valente treta. Pateada e BOLA PRETA do Livro de Areia.

Aguardemos.

Artigo sobre o Climategate:
http://climateaudit.org/2009/11/20/mike%e2%80%99s-nature-trick/


Está tudo explicado aqui:
http://www.americanthinker.com/2009/12/understanding_climategates_hid.html

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Sibelius, nascido a 8 de Dezembro

Jean Sibelius, o grande compositor de sinfonias do Norte, nasceu a 8 de dezembro de 1865, de uma família que falava sueco, numa aldeia que pertencia então ao império russo localizada na actual Finlândia. Talvez este caldo cultural tenha favorecido a veia criativa de Sibelius, que foi um nacionalista convicto - pela independência da Karelia, região fronteiriça entre a Rússia, a Suécia e a Finlândia.

Inspirado pela famosa natureza de lagos e florestas, muita neve e gelo, compôs 7 sinfonias coloridas e impressionistas, um excelente concerto para violino, canções e outras obras sinfónicas e de câmara.

Durante muito tempo Colin Davis reinou como mestre incontestável em Sibelius; actualmente a referência são os maestros nórdicos. Cá vai o finale da 5ª sinfonia pela Orquestra da Rádio Sueca, dirigida por Esa-Pekka Salonen. Magnífica sonoridade.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Stavkirken - catedrais góticas em madeira

Uma das imperdíveis riquezas da Noruega é a impressionante colecção de Stave Kirken dissemindas pelo país – igrejas de madeira que vêm desde o tempo da cristianização dos Vikings por volta do séc XI, passando pela idade média. São construídas com uma técnica especial de entrosamento de troncos verticais (stave=mastro) e horizontais sobre um estrado de troncos assente em pedras, de modo a impedir que os mastros apodreçam.

As construções mais simples têm uma nave e o tecto suportado pelas paredes em palissada, directamente sobre a terra ou sobre cascalho. A maior parte desapareceu por apodrecimento dos mastros. As que foram construídas sobre plataforma já têm um forte tronco central que suporta a torre em espiral e reforça a sustentação das paredes, caso de Uvdal. As mais elaboradas (Borgund) têm colunas interiores de fortes troncos de madeira sobre plataforma que permitem suportar um tecto em V e “naves “ laterais.

A decoração assenta no rico trabalho de escultura e encaixes de madeira e nas pinturas de parede e tecto. Os mastros de 8 ou 9 metros são acrescidos de cruzes para simular maior altura. A madeira é quase sempre pinho, pois carvalho e faia são raros na Noruega.

Visitei as igrejas de Hopperstad e Heddal quando fiz uma viagem a Bergen e à região circundante.

1. Heddal





Construída à volta de 1200 DC, é a maior das 28 igrejas de madeira da Noruega, uma obra prima da arquitectura medieval.

Tem a forma de basílica, suportada por 12 grandes postes exteriores e 6 mais pequenos no interior.
Fora, inscrições rúnicas com a dedicação da igreja, e abundante trabalho de escultura em madeira.

Dentro, uma galeria a toda a volta.

2. Hopperstad, em Vik

Hopperstad é uma das mais antigas stave kirken, datando de cerca de 1140.





No telhado de escamas de madeira, dragões ricamente esculpidos, imaginados com fantasia, parecem de guarda à igreja, nos torreões e nas empenas; a sua origem como elemento artístico já vem do tempo dos Vikings.



Uma galeria exterior circunda toda a igreja.


Quase todas as stavkirken estão localizadas num local proeminente, uma pequena elevação com vista para um vale ou para um fiorde na costa.


Em Hopperstad dispus de tempo e de um bonito fim de tarde, e fui invadido por uma impressionante sensação de "local único, momento único". O silêncio profundo e a magia do lugar ainda fazem parte das memórias dessa viagem à Noruega.