quinta-feira, 9 de junho de 2011

Assustadora (bela?) erupção solar

Na manhã do dia 7 passado, uma enorme proeminência solar surpreendeu os observadores, que a registaram em várias frequências e instrumentos:


O Sol atravessa um período de crescente actividade até 2013.

Terá sido uma enorme manifestação de alegria pela derrocada eleitoral de certo senhor? Vá lá, contém-te, ó Sol ...

quarta-feira, 8 de junho de 2011

A Abadia de Notre Dame de Ré


As ruínas de um abadia podem ser mais apelativas do que o monumento integralmente conservado. É o caso: as paredes, as janelas, as pedras esculpidas de Notre Dame de Ré, isoladas entre campos de de trigo e de papoilas, visitadas de corvos que dominam do alto o território, são visita irresistível.



Data do séc . XII, e foi fundada por monges de Cister; mas as ruínas actuais, de estilo gótico, são mais recentes, do séc. XIV.

Toda a história da ilha de Ré passa por confrontos com os ingleses, que dominaram a costa atlântica durante séculos; daí as impressionantes fortificações que Vauban fez construir nos portos da ilha, e que são hoje um conjunto patrimonial da Unesco. Valeu-lhes de pouco: hoje a ilha de Ré está grandemente ocupada por turistas anglófonos...

Ora a infeliz Notre Dame de Ré foi destruída uma primeira vez em 1294 pela frota inglesa; reconstruída, veio de novo abaixo na Guerra Dos Cem Anos por duas vezes: 1388 e 1462; e mais uma vez em 1574, os Huguenotes, protestantes que predominam ainda nesta região de França, saquearam e destruiram o interior. Não admira que os monges de Cister, fartos da sua sorte, finalmente abandonassem a abadia.

Serviu de abrigo para barcos de pesca, até que em 1997 as ruínas foram classificadas e restauradas.



Nada resta dos recintos conventuais, cujas pedras foram usadas para construir um dos fortes da ilha.
O claustro é só um bonito jardim rectangular, perfumado com alecrim, tomilho e alfazema.

Porquê este post insólito sobre a ilha de Ré? Porque ao pôr do sol, entre espigas ondulantes e papoilas, sem outro som que o dos corvos, o do mar ao longe, do vento a assobiar entre a seara, foi um momento mágico, em que um testemunho de atribulada História mais uma vez demarcou o tempo e o espaço.




E a noite acabou com um jantar em La Flotte, uma das aldeias-porto mais bonitas da ilha, à janela para o cais.


Dela falarei em breve.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Julia Lezhneva com Minkowski na ilha de Ré !

Bom, confesso que a maior surpresa da minha visita a Ré foi a realização do 1º festival "Ré Majeure" na ilha, ao qual vou ficar atento, dirigido por Marc Minkowski, e que contou com a versão em concerto do Cosi de Mozart com a já "grande" Julia Lezhneva.


Foi fácil comprar bilhetes, infelizmente sem lugar marcado, o que deu lugar a golpes e atropelos, como dantes era habitual também em Portugal. A sala tinha boa acústica mas é pequena, os Musiciens du Louvre vieram em formação reduzida ao mínimo, a direcção de MInkowski ( de que nunca gostei por aí além) foi mortiça; mas a Julia ! sempre que a Fiordiligi entrava, que gosto, que cristalina e suave perfeição, que timbre aveludado, que controle de voz.

Foto final com telemóvel

Apesar de não ser adepto das versões de concerto, é verdade que assim o canto sai ainda mais valorizado, e a noite na bela aldeia portuária de Ars-en-Ré teve momentos de magia vocal, pela Julia sobretudo, mas para ser justo, também Gaëlle Arquez (Dorabella) cantou lindamente.

Um vídeo promocinal:


Próximos posts: sobre outras belas experiências "charentaises".