sexta-feira, 17 de junho de 2011

Ena ena ena! Nuno Crato...

...é ministro da Educação! Wow!

Foi preciso eu deixar o ensino para haver finalmente um ministro de jeito para o ensino em Portugal ! Hélas, pas pour moi...


A melhor notícia dos últimos dias...semanas...meses... sei lá...

Parabéns, professores e alunos, coragem Nuno!

segunda-feira, 13 de junho de 2011

meditações: Medina Carreira, o que nos resta, certa arte, gourmandise....

Se Medina Carreira tem razão, e Portugal vai empobrecer aceleradamenre ao ponto de dentro de 10 anos ter de optar entre pagar pensões ou pagar o Serviço Nacional de Saúde; se os bancos vão acabar por não ter liquidez em questão de meses, se duas gerações vão trabalhar de sol a sol com salários miseráveis só para pagar os juros das auto-estradas, da Parque Escolar, da Ponte Vasco da Gama, do metro do Porto, do medíocre pendolino, do que os bancos esbanjaram,

Se o crime vai alastrar, e manifestações de rua cada vez mais numerosas acabarão por se tornar violentas, se a juventude se vai emborrachar até cair em botellons noite fora, e urinar nas mais vetustas paredes que a história foi deixando...

então para que serve Portugal? porque há de existir? e a União Europeia, serve para quê? e o Euro? porque hei de pagar impostos? porque hei de manter os meus poucos haveres em bancos ? porque hei de votar ou sequer interessar-me por mudar quem lá está? Porque hei de cumprir regras cívicas?

Servem, sim, e interessam-me, o vento e o mar, as flores e os rios, as borboletas e os pirilampos, uma janela, um livro, a música de um alaúde que alguém ensaia numa nave gótica, a folha verde tenra de um carvalho na primavera. Basta-me a água cristalina que corre antes de ser engarrafada, a fruta bichada que ninguém calibra, o peixito pescado à linha num remoto afluente escarpado. Sossego. Isso sim.

A barbárie, ou o regresso à natureza ?

Continuo muito deprimido. Ainda fiquei pior no regresso de Ré. Estava muito bem aqui, por exemplo, sem remorsos, regalado com 3 linguados com puré de legumes numa esplanada frente ao cais


e o melhor crème brulée da minha vida


e uma ilusão de gente risonha vivendo em abundância. Pourquoi pas, pour tous, mon dieu (=?!)

A "Árvore da Vida" do Terence Malik também me fez mal. Esta coisa que a arte tem de, sendo bela, contudo incomodar... teremos mesmo de optar entre a barbárie da sociedade dos homens e o imenso nada oferecido pela natureza ?

GRRRR, ça m'énerve !

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Ré, uma ilha de paz e bem estar

A alteia ou malva-rosa (rose trêmière), planta-ícone da ilha, decora todas as soleiras.

Não será a Suíça, mas na ilha de Ré as vilas parecem postais vivos - harmoniosas, ordenadas, floridas, bonitas , limpas, simpáticas, tranquilas.


As coisas mudam num feriado ou ponte, ou na época alta - invasão de multidões, carros estacionados onde calha e esplanadas apinhadas e ruidosas.

Tendo a sorte de ir fora de época com bom tempo, é um paraíso. Começa pelo aeroporto minúsculo, que mal se vê, e se atravessa para a rua em poucos minutos (não há corredores!), onde debaixo de tendas em pano se dão os reencontros e boas vindas. Depois, é tudo pertinho, La Rochelle a 10 minutos e Ré a mais outros 10. Anda-se devagar mas tudo é próximo. Há quem vá-e-volte de bicicleta.

As principais vilas são portuárias, com marinas repletas de lanchas e veleiros, cais em anfiteatro de esplanadas, casinhas em calcário com venezianas azul-claro, cinzentas ou verdes, de onde irradiam ruas em labirinto bordeadas de passeios floridos de alteias (rose trêmière) e algum comércio simpático.


L'Esprit du Sel (há salinas em Ré)

As gentes, são pescadores e "lobos-do-mar" de cachimbo, boné e barba amarela, salineiros, agricultores (vinha), muita gente na apanha/cultura de mexilhão e ostras, lojistas e gente da hotelaria, e turistas, claro, de bicicleta. Diz-se "bon après midi" e "bonne soirée m'sieu/dame" com cuidadosa pontualidade. O empregado cumprimenta (!) "qu'est-ce que je peux vous servir, m'sieu/dame?", depois "bon appétit". Já não se vê disto. Paris não é nada disto.

As principais vilas:

Saint Martin de Ré




À noite, a mais animada

Ars en Ré


Vale a pena ler a mensagem...


A mais florida

La Flotte





Mercado medieval (séc XII)



Bicicletas


Devo ter acertado na melhor altura para ir: já se apanha sol e calor à mistura com trovoada, sossego à semana, e o festival Ré Majeure de que já falei para quebrar a pasmaceira.