Anda por aí uma competição doida pela popularidade (logo, vendas ) das caras lindas do canto lírico. De tal modo que os autores (compositores) nem interessam nada - deixaram de figurar na capa.
O duelo Netrebko / DiDonato começa a ser coisa de doidos, e a publicidade aos discos que estão para sair já ultrapassa o que se faz com estrelas do pop/ rock. O mau gosto, como não podia deixar de ser, já levou a melhor sobre o suposto bom gosto do reportório ou a beleza do timbre - agora vale tudo. E começa a ser irresistível a minha tentação de nem sequer os ouvir.
O mesmo com Kaufmann, claro, o menino bonito contraponto às mulheres fatais. As poses de uns e de outros tornam-se de tal modo irritantes que me dá ganas de os mandar ver se chove.
Anda tudo a vender o corpinho bem feito e a cor dos olhos, tal como os encenadores apostam também na sensualidade que vende, e vai a música clássica de entrar numa comercialização similar à que matou o pop/rock. Até o Dudamel, que é um maestro abaixo de medíocre, já vende pela imagem,.
Agora veio um estudo idiota (ou não) dizer que, quando apreciamos música cantada, conta mais o que vemos do que o que ouvimos. Pode ser que certo público fútil e imbecilizado vá ouvir a Fleming pelos olhos ou pelo decote; quem gosta de música continua a preferir gravações (sem imagem) dos anos 50 e 60, ou as feiotas Sutherland e Horne. Isso sim, eram vozes.
Não teria jeito negar que uma bela voz só fica a ganhar num rosto expressivo e atraente. Daí a inverter critérios... mas nada que seja assim tão novo, afinal já a Callas e a Tebaldi alimentavam paixões.