sábado, 18 de julho de 2015

Frontarias da Lübeck medieval e mercantil


Quando visito cidades com História o primeiro passo é calcorrear as ruas e apreciar o espaço urbano antigo, e a vida que ainda têm, ou já não. Em Lübeck, na Altstad, são muitas as ruas condicionadas ou fechadas ao trânsito onde deparei com alinhamentos de vários edifícios do gótico hanseático, estilo que depois se viria a alargar a outras cidades do Báltico.


Um dos motivos porque a cidade foi classificada como Património Universal na lista da UNESCO é a sua riqueza em arquitectura dos séculos XIII e XIV. Há igrejas e palácios, mas sobretudo o casario que foi poupado à destruição pelos bombardeamentos na 2ª Grande Guerra.

Por volta de 1200, as casas de Lübeck ainda eram de madeira, como as da Escandinávia. Mas bastaram 100 anos para tudo mudar, e no séc. XIV a maioria das ruas alinhava já edifícios em tijolo. Cerca de 1300 casas de mercador foram construídas nesse século.

Fachada já tardia de casa de mercador rico. Note-se o portal elevado e os grandes janelões laterais.

O modelo da casa de mercador (e também de armazém) era basicamente de três ou quatro andares garantindo no interior o máximo espaço de armazenamento, com frontaria de empena em degraus a cobrir as águas furtadas. O tipo de empena foi evoluindo para linhas mais decorativas, arredondadas e com beiral.

A disposição obedecia ao critério da ventilação: em baixo, mais húmido, tecidos. Quanto mais alto, mais ventilado e seco para alimentos.

Rés do chão: tecidos, sedas, peles, vestimentas, ceras. Primeiro andar: salão nobre do mercador, com o seu escritório e sala de visitas. Segundo andar, conservas - peixe em sal, fumados; e terceiro andar, outros géneros alimentares - cereais, sementes e grãos, especiarias. Nas águas furtadas, por trás da empena, a roldana do guindaste interior.

O mercador já tinha deixado de sair para expor em feiras, ou para os navios, passando a receber em casa os compradores; no 1º andar instalava escritórios e contabilidade - era o seu local de trabalho. Dali organizava o transporte e venda das mercadorias, armazenadas noutros andares do edifício.

Do gótico inicial ao barroco rococó e ao neo-clássico, a decoração foi evoluindo, sendo frequente casas vizinhas de época diferente mostrarem grandes diferenças decorativas na frontaria.

'Am der Untertrave', o antigo cais hanseático, no rio Trave. Os mercadores mais poderosos instalavam-se perto do cais. 

Entrada para o centro histórico.

Os armazéns de sal, mesmo ao lado da porta de entrada 'Holstentor', nas margens do rio Trave.

Na Mengstrasse, que desce da praça Rathaus Marktplatz para o rio, encontram-se alguns dos exemplares mais antigos.

Variedade de arquitecturas, a beleza da cidade. Glockengiesserstrasse.

Jakobikirchhof, largo da Igreja de S. Tiago.

Durante a época de ouro de Lübeck, os parceiros económicos foram mudando: desde Nijni-Novgorod, Riga, Tallin e Visby, no séc. XII;  a Bergen, Bruges, toda a costa da Flandres e da Prússia, no apogeu da Hansa, em meados do séc. XIV.

Lübeck tinha alcançado o estututo de cidade livre, podia fazer moeda e criar leis próprias, e com 25 000 habitantes era a maior cidade do centro europeu depois de Colónia

A maioria das casas históricas está restaurada e habitada.



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Em breve, mais sobre a história de Lübeck na Liga Hanseática.


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