sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Edimburgo cidade e a sala 18 azul da National Gallery


Atholl Crescent, 1825

Não faço nenhum post sobre Edimburgo propriamente dita - ruas e casas, praças e jardins, castelo e igrejas. Está tudo mais que conhecido e o mais interessante da cidade - a sua geografia, ou melhor a sua geometria - não cabe em fotografias.


Agrada-me conhecê-la já quase de cor, na sua grande variedade de paisagem urbana - os telhados e as chaminés, as muitas torres e agulhas, as longas ruas neo-clássicas desenhadas a régua e esquadro e os elegantes crescentes georgianos, o labirinto sobe-e-desce medieval, pubs e lojas de Tweed; mas ao mesmo tempo agrada-me também saber já poupar pés e pernas ao escolher os percursos mais planos e curtos, combinando com o tram. Pois, Edimburgo tem agora uma espécie de metro de superfície como o Porto, que vai do Aeroporto até ao centro, percorrendo toda a Princes Street. A meio, na paragem da Mound, fica a Scottish National Gallery com a sua colunata neoclássica.

O mais valiosos sítio cultural de Edimburgo está na travessia em ponte (ou em escadaria) entre a parte nova do séc. XIX e a cidade velha.



Durante o festival, esta travessia é também o sítio da bilheteira para os eventos, o sítio de múltiplos espectáculos de rua - circo, músicos, caricaturistas - e de uma fileira de bancas de venda de artesãos.



É tudo muito festivo e animado, mas nada que de longe se compare à Galeria, à sua simpática cafetaria com esplanada e vista a dar para o parque, e à sua sala 18, a fantástica sala azul:

Cézanne,
Montagne Sainte Victoire, c. 1890

Degas,
Groupe de Danseuses, 1898

Gauguin, Trois Tahitians

Monet,
Les Peupliers aux bords de l'Epte, 1891-92


Van Gogh
Les Oliviers, 1889

E ainda fica aqui a faltar referência à magnífica sala 'verde' de Raphael. Será para breve.

É tudo isto, a vitalidade destes contrastes, o mistério destes labirintos internos e externos, que torna indispensáveis e eternas certas cidades.

Cá fora, entardece, e o sol já pinta de cores quentes os edifícios do Castelo.



Cidade mágica ?



4 comentários :

Virginia disse...


Obrigada pelas dicas, que vou anotando mentalmente para depois realizar o que puder. Tenciono lá voltar se desta vez gostar do que vou ver. Gosto sempre de ver quadros, embora não aprecie as molduras pesadíssimas que os envolvem, sempre detestei estes dourados nos impressionistas. Tiram-lhe toda a beleza, reduzem-nos a rectângulos minúsculos, que sem molduras seriam muito mais "impressive". Molduras simples não se usavam quando se fizeram museus ;-).
Looking forward to something special.

Abraço

Fanático_Um disse...

Tenho apreciado pormenorizadamente cada um destes seus textos. Sinto-me conduzido por um guia muito competente que me revela aspectos que nem reparei quando estive em alguns dos locais descritos (como é o caso de Edimburgo). Muito obrigado e vá "postando" (palavra horrível!) tudo, para nosso deleite!

Gi disse...

Ah, Edimburgo com sol, quase diferente da cidade que visitei!

Mário Gonçalves disse...

É difícil evitar a chuva, Gi. Estas fotos estão bem cinzentonas. Enquanto via a sala 18 e as outras, espreitava pelas janelas - assim que visse sol, saía para a rua, pois podia voltar aos quadros em qualquer altura chuvosa. Felizmente, o mau tempo também é instável, às vezes dá belas abertas.