Quando estive em Bath, em Julho de 2016, deixei aqui um relato da visita aos banhos romanos, e outro ao museu de Herschel; mas a maior riqueza de Bath é ela mesmo, a cidade, a esplêndida arquitectura Georgiana das ruas acima e abaixo ou transversais numa rede encurvada e inclinada, desde a cidade baixa até ao famoso Royal Crescent no topo.
O primeiro 'crescente' de casas geminadas em fileira , exemplo de "rus in urbe" (o rural na cidade) .
Mesmo m Itália não se encontra facilmente um espaço urbano de dimensão média (humana) tão coeso, harmonioso, elegante e cómodo, com espaços tão bem definidos. Se não fosse a longa história de Bath, dir-se-ia uma idade construída em dado momento, cuja traça seguiu um plano de forma livre e criativa. Não me cansava de lá morar - mesmo sem mar ...
Bath Street: os banhos romanos
Abbey Green
Vou começar pela cidade baixa, junto ao rio Avon, pois foi lá que estabelecemos arraial, numa praça que fora o antigo pátio do Mosteiro: 1 Abbey Green.
É uma rara praça urbana central e pedonal, rodeada de casas anteriores à era Georgiana, dos séc. XVII-XVIII. No centro um enorme e frondoso plátano plantado em 1793, uma das mais antigas árvores instaladas por decisão de arquitectura urbana.
Abbey House, a nossa casinha em Bath, 1758-60
Foi no res-do-chão, à direita da porta.
Alojados aqui, estávamos mesmo no centro, a poucos metros da Abadia, dos Banhos Romanos e da Pulteney Bridge sobre o Avon, num local sossegado e bonito. Melhor não há.
As ruas estreitas em volta da praça conduziam a três destinos: a Abadia, para Norte, o rio e a ponte, para leste, e um armazém Marks & Spencer para sul.
Abadia de Bath
A Igreja gótica do antigo mosteiro beneditino é História que vem do século XVI.
A viela que liga Abbey Green à Igreja da Abadia.
A praça da Abadia é onde se encontram grandes ajuntamentos - manifestações, eventos ou excursões.
O templo actual foi construído na década de 1580 e completado em 1611, sob o reinado de Isabel I; o Mosteiro anterior, românico, tinha já sido desmantelado a mando de Henrique VIII. A Igreja anglicana chegou a ser brevemente elevada a Catedral, mas o bispado foi para Wells.
Este portal Oeste é de 1617.
A Escada dos Anjos (ou escada de Jacob) na fachada é mais antiga ainda, de 1520, também anterior à construcção gótica.
A Nave gótica - desde o séc XVI foi objecto de restauros e acrescentos, como os leques da abóbada e os vitrais (victorianos, séc. XIX).
Foi o restauro victoriano em 1860 que recuperou a abóbada esculpida em leque, de acordo com o desenho gótico original, uma riqueza excepcional devolvida passados três séculos.
Os Banhos Romanos
Mesmo ao lado, no núcleo central da cidade, ficam os antigos Banhos Romanos, enquadrados em edificações do séc. XVIII e XIX. A entrada é por uma colunata de 1897, nº1 Stall Street.
A arquitectura victoriana pretendeu simular o ambiente romano interior, sem ser
exuberante ou imponente.
O topo da edificação que cerca a piscina dos banhos foi decorado com estátuas de Imperadores Romanos.
Os Romanos designavam Bath por "Aquae Sulis", em homenagem ao deus celta que designava o Sol, mas dedicaram as termas a Minerva; junto aos banhos erigiram sobre um pátio um templo a Sulis Minerva, portanto ao Sol, e outro à Lua. Desses templos restam as decorações dos frontões:
No Museu dos Banhos há ainda um busto de Minerva em bronze e uma secção de mosaico do chão, ambos desde há muito famosos:
Cá fora de novo é York Street, rua histórica no centro monumental de Bath.
Bath Street, ladeado por colunatas
Stall Street, a rua principal no centro histórico, onde História e comércio andam juntos.
Nesta loja Ecco não resisti a um bom saldo... os pés agradeceram.
A zona de lojas mais atractiva está em Old Bond Street.
Mais uma vez, parece Itália.
Um mapa para ajudar a localizar. A zona rosa-laranja é pedonal.
Pulteney Bridge
Construída em 1774 , é um dos monumentos georgianos classificados pela UNESCO.
Há muito poucas pontes antigas* com edificações sobre os dois lados do tabuleiro, menos ainda tendo lojas permanentes. Na Europa, a Ponte Vecchio de Florença e a Rialto em Veneza, na Turquia a Ponte de Irgandiem Bursa.
Café, sala de chá, pastelaria com vista para o rio.
'The Hampstead Bazaar'
Gravura de 1788
É assim. Por toda a cidade só há contentamento visual, arquitectura que não cansa, história e arte. Todo o ambiente urbano nos encantou, está no meu topo das cidades visitadas junto com Léon, Wismar, Basileia, Ghent ou Cremona.
Fica prometida a continuação para o próximo post, pois este iria ficar demasiado extenso; na 2ª Parte irei mostrar a "cidade alta" com as suas ruas e praças de fileiras residenciais, o museu Herschel e a casa de Jane Austen, e alguns extras da nossa estadia.
Na rua principal de Pompeia, a Via dell'Abbondanza, há um quarteirão designado porInsula 12, na Regio IX. Aí foi agora posta a descoberto uma moradia pequena mas tão opulenta em decorações como outras grandes villas luxuosas vizinhas - a "Casa dos Pintores" e a "Casa dos Castos Amantes".
O colorido das paredes ainda está vivo. Aqui vê-se uma cena de abraço (symplegma) entre um sátiro e uma ninfa:
A nova casa foi baptisada "Casa de Fedra", devido ao mais belo fresco que lá encontraram, a cena de Hipólito e Fedra:
Hipólito e Fedra -a raínha mitológica de Atenas é rejeitada por Hipólito
Ao lado há uma janela que abre para um pequeno pátio com um altar (lararium) decorado com plantas e animais.
Duas cobras, três pardais, ramos de arbusto com bagas vermelhas, em volta de um altar de oferendas.
O lararium depois da limpeza
No centro do fresco, um altar circular que suporta uma taça com uma pinha, um suporte com ovo, um figo e uma tâmara.
A casa não tem o habitual átrio interior descoberto que permitia recolher água da chuva, e iluminar melhor as divisões. Este pequeno pátio é coberto.
Parte de uma parede do pátio
Detalhe
Máscara de Teatro num friso pintado.
A erupção foi em 79, estamos no 1º século DC, há mais de 600 anos que a domus romans mantinha a mesma arquitectura: em volta do atrium, com um tanque (impluvium) central para recolher a chuva, dispunham-se : à direita e à esquerda, os quartos pequenos; Na frente e trazeiras, as divisóes nobres - o triclinium para recepção e banquetes, e o jardim (peristilum). Das 1076 casas conhecidas de Pompeia, só 20% tinham atrium; a grande maioria era já uma moderna geração de habitações, como a Casa de Fedra, mais pequena e sem átrio mas nem por isso menos luxuosa.
As escavações continuam, parte de um trabalho mais vasto na secção Sul da Região IX, sobretudo na Insula 12.