domingo, 7 de junho de 2015

Os Moínhos de Maré, a mais antiga fonte regular de energia.


Uma visita a um Moínho de Maré no rio Rance, Bretanha, está na origem deste post. Momento Wiki.

Antes do carvão, do petróleo, da electricidade e do nuclear, eram escassas as fontes de energia disponíveis, numa extensão razoável de espaço e tempo. Era esse aliàs o principal travão que manteve o nível e a qualidade de vida tão mediocres como foram até ao séc XIX.

A força de trabalho dos animais (e dos escravos) não permitia mais que uma economia de sobrevivência extremamente desigual, sem perspectivas de evolução. Era a energia dos ventos a melhor alternativa, e há milénios que moínhos e noras garantiam o pão e a água em extensas regiões do planeta. Tecnologias ainda rudimentares, que já eram um progresso em relação à força animal, mas sujeitas à dependência dos ventos e a um curtíssimo alcance.

O salto mais significativo foi dado na Idade Média com os moínhos de maré. Desde o séc. XII não havia estuário de rio, ou larga ria de mar, onde as marés fossem amplas e a ondulação não se fizesse sentir, que não tivesse um ou vários moínhos de maré. A rede desses engenhos bem imaginados chegou a contar milhares pela Europa e América do Norte.


Cada vez mais se encontram dados arqueológicos que fazem antecipar a data dos primeiros moínhos de maré - uma recente descoberta datou um desses, na Irlanda, já no séc. VI .


No essencial, aproveitavam a regular subida de maré para aprisionar o máximo de água por trás de um dique, fechar as portas na maré alta, e tirar vantagem da diferença de nível de águas: durante a descida, fazia rodar a roda do moínho. Isto era possível praticamente todo o ano, duas vezes por dia ! Que coisa maravilhosa, uma energia garantida com essa regularidade !


À parte o dique, a principal peça do engenho era a roda. Tinha de ser fabricada com cuidado, sobretudo as pás, e rodar bem oleada sobre eixos debaixo de água. Nestas condições, a energia que debitava era bem firme e constante durante umas horas. Não oscilava, como os  moínhos de vento, nem tinha tão grande perdas porque a engrenagem se reduzia ao mínimo.

Moulin du Prat, estuário do rio Rance, Bretanha



Na História da produção de energia, os moínhos de maré têm um lugar relevante - foram a primeira forma de produção planeada e alargada, numa rede costeira por toda a Europa. E foram antepassados directos das barragens hidroeléctricas.

Eling Tide Mill, perto de Southampton - estuda-se a sua reabertura adaptando-o à produção de electricidade.

Há exemplares a trabalhar ou restaurados como museu em estuários de Inglaterra e França, no Báltico, e mais perto, nas rias da Galiza. Em Portugal, de muitos que houve sobram pelo menos quatro, a sul, no estuário do Tejo e na costa Algarvia.

Moínho de Alhos Vedros, Montijo.

Moínho de Estômbar, Lagoa, no estuário do Arade.

Moínho de marés de Olhão.

Em França abundam nos largos estuários a Norte, na Bretanha e Normandia, para o canal da Mancha, onde as marés atingem 18m de amplitude. Entre o cabo Fréhel e Cancale a costa é muito recortada, com inúmeras baías onde o fluxo e refluxo das marés pode ser aproveitado. De tal modo que há barragens modernas, como a do Rance, que funcionam sob o mesmo princípio e geram energia eléctrica durante as horas da maré descendente. É uma fonte de energia barata e fiável.
Moulin du Prat.



quinta-feira, 4 de junho de 2015

Ainda o cravo Titus Crijnen tocado por Andreas Staier



Titus Crijnen me fecit


Baseado em modelos do fabricante holandês Ruckers, do séc XVII, este cravo esteve na Casa da Música cedido pela Associação Pró-Música da Póvoa de Varzim.

Foi estreado no 27º Festival da Póvoa em 2005, por Pierre Hantaï.


Entre os fabricantes de cravos flamengos, que caprichavam na decoração, era costume inscrever na tampa frases em latim alusivas à Arte, como esta, "A Arte não tem inimigo senão o ignorante" ; também gosto desta:

AUDI
VIDE ET TACE
SI VIS VIVERE IN PACE


mais aqui


segunda-feira, 1 de junho de 2015

Casa da Música:
festa barroca em traverso e bisel, com Andreas Staier


E pronto! agora até Setembro não volto à Casa da Música, terminou a minha temporada.

E terminou bem com Andreas Staier a dirigir a Orquestra Barroca da CdM. Não são os premiados Freiburger Barockorchester, longe disso, mas desempenharam muito bem o programa de Bach e Telemann, em que Staier brilhou com a sua mestria.
Note-se o bom português: direcção com c, Maio com maiúscula...

O cravo era lindíssimo, um Titus Crijnen de 2005:

"Ars non habet inimicum nisi ignorantem"

O concerto terminou com o curto mas jubilatório Presto do concerto TWV 52 e1 de Telemann, para duas flautas (traverso e bisel) e cravo. Uma autêntica celebração, a que ninguém resiste.

Uma versão do Giardino Armonico:

Uma versão esfuziante, talvez de mais: