terça-feira, 8 de setembro de 2020
Anna Amalia von Braunschweig, die Prinzessin
Ana Amália de Brunswick (1739 – 1807) foi uma princesa germânica, regente de dois estados da Saxónia, que também se dedicava a compor música. A sua corte em Weimar, Musenhof (Casa das Musas), foi na época o centro cultural mais influente na Alemanha, atraíu Goethe e Schiller; Ana Amália criou, também em Weimar, uma biblioteca luxuosa que tem agora um milhão de livros. Uma princesa perfeita.
Biblioteca de Ana Amália, Weimar
Irmã de Frederico II, nasceu em Berlim, numa familia que já cultivava o Iluminismo. Casou jovem, aos 17 anos, com um nobre enfermo que a deixou viúva em dois anos, com o cargo de Regente. Pôde então implementar o requinte cultural da Musenhof - concertos, teatro, palestras - ao mesmo tempo que conseguia dar bom governo ao ducado.
Sobre a Musenhof escreveu o poeta Wieland que era
"... uma instituição para a promoção da alegria e do bom humor, onde se tocava piano e violino, soprando, assobiando e brincando para que os anjos no céu se divertissem".
Leitura de poemas na Musenhof de Weimar, perante Ana Amália e Goethe.
Ana Amália compôs uma sinfonia, um oratório, uma ópera e muitas obras de câmara. Difícil é encontrar boas gravações - consegui estas três. Dão bem a ideia de uma hábil compositora, que poderia ir mais longe se...
- Abertura de Erwin und Elmire,
pela excelente AAM sob diecção de Andrew Manze
Mas o seu melhor foram as sonatas:
- Sonata para Oboé & Orgão - Adagio
Pahud / Pinnock
- Sonata em Fa para flauta e cravo
Boas audições.
quinta-feira, 3 de setembro de 2020
No Museu Britânico, dez assombros e uma galeria
Que falta sinto de viagens com Museu no roteiro...
Há sítios com os 10-must-see de muita coisa, museus incluídos. O Museu Britânico não é um mundo, é um Universo, mas senti-me tentado a fazer a mostra dos meus 'dez mais', como statement e como relato de uma visita guiada pelo meu gosto... dez peças de assombrar, por onde agora naveguei de novo como se lá estivesse.
1. O Standard (padrão) de Ur
Proveniente da Suméria, no 3º milénio A.C.. Uma caixa de madeira oca, com as faces laterais embutidas com um mosaico de conchas, calcário vermelho e lápis-lazúli. Lembra outra peça do Museu que já qui referi, o magnífico Jogo Real de Ur.
Foi encontrado num túmulo real em Ur, a capital Suméria; uma face descreve cenas de paz, a outra cenas de guerra, numa preciosa banda desenhada com mais de 4000 anos.
2. O Selo cilíndrico de Dario
Séc. VI - V AC.
Encontrado em Tebas, Egipto, o selo real sumério tem a forma de um cilindro em quartzo de Calcedónia, em baixo relevo negativo, que ao rodar sobre uma placa de barro mole imprime uma cena de caça aos leões em carro puxado a cavalos entre palmeiras, sob a protecção de um deus.
À direita, imprime uma inscrição cuneiforme: "Eu sou Dario o Grande Rei", em três línguas - persa, elamita e babilónio. No carro, de pé, Dario I aponta o seu arco de caça.
3. O Vaso de Sophilos.
Atenas, 580–570 A.C.
Taça festiva de vinho com pé, com a inscrição 'fabricado por Sophilos'. Está decorado com cenas da mitologia heróica grega.
4. Pedra da Roseta.
196 A.C., Egipto
Não podia aqui faltar - o milagroso dicionário trilingue, que converte escrita hieroglífica em texto demótico do Egipto e Grego antigo. Uma daquelas descobertas para a eternidade.
5. Gargantilha (torque) Céltica
ca. 75 A.C.
Este colar céltico tem um quilo de ouro ! Data da idade do Ferro, e foi encontrado em Snettishham, Norfolk. É uma obra soberba, da mais requintada arte de ourives.
6. Vaso romano 'Portland'.
Século I (primeiros anos da Era, 1-25).
De uma beleza deslumbrante, este vaso romano de vidro azul com camafeu branco em baixo relevo é o mais famoso do género.
Começou por ser conhecido como Vaso Barberini em Itália, por ter pertencido à família da Toscânia. Compras sucessivas acabaram no 3º duque de Portland: o vaso mudou de nome e de casa; desde então inspirou o célebre Wedgwood e outros a fabricar camafeu de vidro.
7. Vénus no banho, ou Vénus 'de Lely'.
Roma, século II
Vénus agachada no banho, escultura em mármore, versão Romana de uma estátua helenística da deusa Afrodite.
Com um olhar frágil e intimidado, parece que se sente espreitada durante o banho. Absolutamente... ϟ❊ϟ!!⋆⋆⋆!
[Lely foi um pintor inglês do séc. XVII, um dos proprietários da escultura.]
8. O Xadrez de Lewis.
Séc. XII
Já aqui fiz um post sobre este jogo de xadrez Viking.
Esculpidas em marfim de morsa e osso de baleia, estas peças não foram ainda suficientemente bem atribuídas, mas está aceite que tenham provindo da Noruega para a Escócia, já no declínio do período Viking. Foram encontradas numa pequena caixa enterrada, como se fosse um tesouro, na ilha de Lewis, Hébridas.
9. Trompa tibetana de concha.
Séc. XVIII - XIX
Deve produzir um som portentoso e exótico, esta trompa baseada numa grande concha e hiper-decorada com cobre, esmalte e pedras preciosas.
No estandarte há um dragão ricamente esculpido.
10. O próprio Museu Britânico.
Foi o primeiro Museu Nacional no mundo, aberto ao público em 1759 com a colecção do irlandês Hans Sloane. O edificio original neoclássico, com uma frente de 44 colunas iónicas, é de Robert Smirke, mas muitos outros se foram adicionando ao longo dos anos.
'Reading Room', a sala de leitura circular adicionada em 1854-57.
Entre as galerias, destaco a Enllghtenment Gallery, onde se exibe documentação e objectos ligados ao Iluminismo, o início da era do Progreso. Manuscritos, instrumentos, mecanismos, e livros, muitos livros.
Um monumental vaso de mármore está de guarda à entrada - o Vaso Piranesi. Meticulosamente reconstruído no século XVIII pelo arquitecto e restaurador Piranesi a partir de milhares de fragmentos romanos, encontrados na Villa Adriana de Tivoli - o original dataria do do séc. II.
A galeria foi construída em 1828 como biblioteca de George III, e exibe também a colecção original do fundador Hans Sloane, dos séculos XVIII e XIX - desde peças antigas de variadas origens a mecanismos de precisão, espécimes de História Natural e várias esculturas.
Fauno de Duquesnoy, séc XVII (barroco)
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Homenagem prestada a um dos melhores Museus do mundo, o Brit. Deve ser também um dos posts mais bonitos de sempre, aqui no Livro. Bom fim de Verão.
domingo, 30 de agosto de 2020
Quero envelhecer como cristais do mar
‘I want to age like sea glass’
Bernadette Noll
Tese
Quero envelhecer como os cristais do mar. Amaciado pelas marés, mas não quebrado. Quero ser revolto e sacudido pelas correntes da vida, quero que elas me deixem sentir lavado. Quero que as minhas bordas aguçadas se atenuem com o passar dos anos — não mais fracas: mais maleáveis. Quero cavalgar as ondas, ir com os caudais, sentir o impacto do fluxo e refluxo das marés investindo para diante e para trás.
Antítese
- Mas não envelheço como cristais do mar. Envelheço como ? Qualquer coisa - quebrada, enrugada. Pensando melhor, uma peça de metal enferrujada. Pode ser uma coisa de valor, metal enferrujado. Podemos trazê-lo da praia para casa e deixá-lo por aí. Um peça ferrujenta tem um núcleo sólido, sadio. Um dia a ferrugem desfaz-se em pó, mas é mesmo assim que as coisas são.
B.B.
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Adaptação do artigo de Bernie Bell no blog The Orkney News.
https://theorkneynews.scot/2020/08/29/i-want-to-age-like-sea-glass/
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