quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

Uma galeria possível de Arte Ucraniana


Nos Museus onde entrou, o exército russo fez como outrora o alemão - rapinou tudo a que conseguiu deitar mão. Não haverá grandes obras de génio universal, mas quadros de grande beleza de artistas nascidos na Ucrânia e pouco conhecidos mesmo na Europa.

Agora que em Madrid se exibe uma colecção de obras retiradas desse país para seu resguardo, publico de entre os que consegui ver na Net aqueles que mais apreciei. Quase todos se apreciam melhor clicando para ampliar.

Volodymir Chernikov (1918 - 1992)

Nasceu em Luhansk, zona das mais conflituosas entre as nacionalidades fronteiriças. 

Inverno

Flor no parapeito de uma janela

Maria Bashkirtseva (1858-1954) nasceu em Havrontsi, a oeste de Karkhiv, na Poltava, região martirizada sob as bombas.

Com um livro, 1882 - museu de Karkhiv

A maioria das suas obras está em Nice, onde viveu e fez carreira,

O encontro, a sua obra mais conhecida - Museu d'Órsay

Oleksandr Murashko (1875-1919) , de Kyiv

Inverno

Pintor modernista, aluno de Repin e professor de Arte em Kyiv.

Rapariga de chapéu vermelho

Andriy Shumskiy, pintor contemporâneo de Lutsk, vive em Lviv.

Barcos de pescadores


Anatoliy Zhezher ( 1937 - 2020), nascido numa aldeia perto de Dnipro.

Crianças no mar

Um bando de grous atravessa o céu.

Raminhos de viburno

Serhii Vasylkivsky , de Izium

Primavera

Pôr do sol, Museu de Kharkiv

Mas nem só a arte nacional tem lugar nos museus ucranianos; por exemplo, no Museu Arqueológico de Odessa há uma colecção de peças romanas e mesmo anteriores - a cultura nómada Cita, de origem persa, viveu na região desde o 2º milénio e o século III AC.

Taça dourada Cita, 2º milénio A.C., Museu de Odessa


Ceramente há muito mais, só quis exibir uma pequena amostra. Não é um país sem História e muito menos sem Arte, a valente Ucrânia.

sábado, 3 de dezembro de 2022

Fámjin, Suðuroy , aldeia no sul das Faroe com um... café de praia.

 

Fámjin é uma pequena aldeia na costa ocidental de Suðuroy, a ilha mais meridional do arquipélago das Faroé. Fica sobre uma encosta estreita que desce do lago Kirkjuvatn para uma baía do Atlântico Norte, entre falésias elevadas e sevagens.

Num local tão periférico e remoto da Europa surpreende encontrar  uma povoação pitoresca, bem cuidada, animada e até bastante visitada. Para os faroenses, tem um signficado patriótico; para os visitantes, tem uma cascata e um café de praia.

Fámjin está 'de costas' para a Europa, frente ao mar aberto até à Terra Nova!

Fámjin, Suðuroy
Coordenadas: 61° 32 N, 7° 8' W
População: < 100


No pequeno porto juntam-se barcos de pesca coloridos e algum de recreio. 

Ao fundo, os principais edifícios de Fámjin.

A igreja é uma construção básica em pedra, de 1876.
 



Na parede interior do fundo vê-se, à direita, a primeira bandeira de sempre das Faroé, feita por um estudante de Fámjin em 1919. É o motivo das festividades anuais da aldeia em Abril, celebrando o Dia Nacional..



No lado esquerdo da parede está um Barco Votivo, como é hábito nos países nórdicos, neste caso um slupp faroense (palavra da família da 'chalupa' portuguesa).

Uma pedra tumular no recinto da igreja.



Do alto da encosta íngreme por trás da igreja cai uma cascata alimentada pelo lago; pode ser apreciada de uma ponte-miradouro em madeira.



O Kaffistovan


À esquerda, a vermelha Bygdarhúsið Vesturhøll, a casa comunitária, à direita o Kaffistovan de Eirikur Olsen.


Uma cabana de madeira bem acabada, pintada a negro, sobre um estrado junto à baía, é o que me levaria a Fámjin !

Pertence a Eirikur Olsen, antes um homem do mar.



Deve ser um instante de felicidade ter este lanche de café, chá, waffle, compotas e mel num dia de sol em Fámjin.

Fámjin vista de dentro do café.


O Dia Nacional - Flaggdagur, Dia da Bandeira - é celebrado com cerimónia e concertos junto ao Bygdarhúsið.

Festa dos motards no cais das casotas de barco.

A fila de casotas ao longo do cais é o melhor ponto de encontro em Fámjin.



Na parte mais a sul da aldeia há um bairro mais moderno com casas que aparentam boas condições de conforto. Pelo menos uma delas aceita alojar visitantes.
 

Lago Kirkjuvatn  (= Lago da Igreja)

Fámjin sob o lago - ameaça ou protecção ? Nota-se bem que a povoação nasceu sobre a fértil verdura alimentada pela água que escorre do Kirkjuvatn.
É um passeio popular para caminhantes, com vários percursos assinalados.



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O que é um slupp  ? Aqui está um bem bonito::

Westward Ho, slupp faroense.

segunda-feira, 28 de novembro de 2022

Museu-Castelo de Colchester, a primeira cidade Romana da Britannia e o Tesouro de Fenwick


Mais um pequeno museu que encerra tesouros da história europeia.

Como teria sido o Templo de Claudius em Colchester

Colchester, no Essex, foi a primeira cidade Romana nas ilhas britânicas - aliás, a primeira 'cidade' de sempre na Britannia. Foi fundada com o nome de Camulodunum cerca de 44 DC num sítio bretão celta anterior, Colne Castrum, quando as legiões enviadas pelo imperador Claudius construiram um forte a montante do estuário do rio Colne. Destruída pela revolta celta de Boadicea (60 - 61), depois de reconstruída floresceu e teve o seu apogeu como capital nos séculos II e III - contava vários templos e teatros, um circo, e foi também a primeira cidade britânica rodeada por uma muralha. Os habitantes adquiriam civitas Romana, privilégio de poucas cidades. A administração Romana terminou entre 409 e 411.


O Museu de Colchester, onde estão os achados dessa era, foi instalado em 1860 no Castelo de Colchester, uma fortificação românica normanda do século XI . 


O edifício é a Torre de Menagem do castelo; a sua dimensão deve-se a ter aproveitado como fundações a base empedrada (ou podium) do grande Templo de Claudius de 54 DC, que teria mais de 30 metros.

Voltada a sudoeste existe uma ábside inexplicável.


Só vou referir o espólio Romano. Começando pela cerâmica:


Ânforas...


A peça mais admirada e prestigiosa é o "Vaso de Colchester" (ca. 175 DC):


É um pote de barro de fabrico local, decorado com baixo-relevo de cenas de combate entre gladiadores e animais.


À volta do vaso, são 4 os gladiadores, com nome claramente indicado, Secundus, Mario, Memnon e Valentinus. Embora esteja designado como 'vaso', deve ter sido usado como urna funerária.



Mas há mais cerâmica:



Também é notável o copo de vidro - Colchester Chariot Beaker ; no museu há uma réplica do original que está no British Museum.



De resto os vidros romanos estão bem representados.






Broche em liga de cobre esmaltado de azul e de branco, século II.

A estátua de Mercúrio também merece destaque:


Foi encontrada ao lavrar um campo nos arredores de Colchester, junto ao sítio de um templo. Data do séc. II, norte da Europa. O Teatro Romano de Colchester era dedicado a Mercúrio.


Os arqueólogos dão particular valor às pedras tumulares de Longinus e Marcus.

À direita, centurião Marcus Favonius da Legio XX.

Pedra tumular do soldado Longinus, um Trácio da Bulgária que veio de longe morrer por Roma em Colchester.

Não faltam os inevitáveis pavimentos de mosaico. Um deles foi encontrado numa casa do lado de fora da muralha, a Casa Middleborough.


Dara de 150-175 DC, era o pavimento de uma sala e descreve cenas de cupidos envoltos em símbolos amorosos - corações, pombas, acantos, hipocampos.


Outro painel, o Berryfield Mosaic, foi levado do Museu para restauro e agora está instalado na bela galeria e centro cultural Firstsite.


Não é incrível? Há dezanove séculos, a 'Itália' invadiu e conquistou 'Inglaterra' ! E agora, os ingleses têm gosto em preservar essa herança... mesmo que se orgulhem da heroína celta Boadicea.

O Tesouro de Fenwick

Foi encontrado em 2014 pela equipa arqueológica de Adam Wightman no subsolo de um grande armazém na High Street de Colchester, onde esteve escondido envolto em cinzas durante 2000 anos ! Provavelmente foi deixado pelos donos em fuga pouco antes de a cidade ser queimada durante a revolta da Raínha Boadicea, durante 60 - 61 DC, uma sublevação dos celtas bretões que quase conseguiu expulsar os Romanos.


É um tesourinho de joalharia Romana em ouro e prata, de que se salienta este par de pulseiras formado por dois fios de ouro que se cruzam formando sucessivos anéis.




Extracto do diário das escavações de Wightman:

"Dia 94. OURO !!! Hoje tive a grande sorte de descobrir uma colecção de joalharia em ouro e prata. Estava enterarrada debaixo do pavimento de um edifício Romano destruído durante o incêndio de Boudicca [Boadicea]. As jóias aparentam ter sido empacotadas de forma compacta num pequeno buraco e depois cobertas. Provavelmente foram enterradas por segurança durante os estádios inciais da revolta e depois recobertos pelas ruínas do edifício colapsado. Pelo menos por três vezes durante os útimos 1954 anos houve aqui escavações e pessoas que ficaram a menos de um metro de as descobrir."


E depois da visita ao Museu, saberá bem um chá em Colchester, numa casa dedicada - Small Talk Tearoom, para fazer conversa. 






Mmmmm clotted cream !

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Já agora: as muitas cidades e povoações inglesas com nome terminado em -chester, -cester ou -caster (Winchester, Gloucester, Lancaster) foram  'castrum' (acampamento) na era romana. São mais de 60 !