quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

No Egito, vivem egícios; ou não?

Coisas da reforma ortográfica.


Pois: Egito, egípcio; onde está a lógica? a coerência ? é para rir ?

5 comentários :

Luísa disse...

Por momentos, pensei que fosse para chorar! Ainda não me informei bem sobre as alterações que advêm da reforma ortográfica e fui apanhada de surpresa...
Mas se o "p" é completamente dispensável em Egipto, porque é que existia?

Mário disse...

A questão é mais grave o que parece, porque tem a ver com apagar a História, neste caso a História da Língua - a etimologia.

Já ninguém quer saber da origem das palavras que dizemos e escrevemos, não interessa o passado nesta era de presente-absoluto.

Nem o francês, nem o inglês, jamais abdicariam das letras que não se pronunciam; la paix nunca será igual a la paie; through nunca será igual a threw.

A riqueza de uma palavra está também em revelar a sua etimologia; o p de Egipto faz falta.

Alberto Velez Grilo disse...

Tem toda a razão. É triste o que está a acontecer à nossa língua.

Como eu costumo dizer, em caso de dúvida sobre a nova forma de escrever uma palavra, pergunte-se a um cidadão de nacionalidade brasileira.

Gi disse...

Este acordo leva a que, em protesto, cada um escreva como quer, o que também é capaz de não ser bom.
Ou se calhar sim.
A considerar.

Anónimo disse...

Efetivamente, um telespetador fica espetante à espera de fatos egícios do Egito num telejornal qe (sem 'u') adote o acordo ortográfico, mas depois ainda vê o José Alberto Carvalho a pedir desculpas em nome da RTP por terem escrito "Egipto" com "p"..
Curiosamente o Acordo Ortográfico contempla duplas grafias e um dos casos é para as palavras que têm consoantes que são ou não lidas, e depreendo que o "p" do "Egipto", é um destes casos, já que eu o pronuncio. Logo, "Egipto" está de acordo com o acordo ortográfico e a RTP não tem que pedir desculpa!
Quanto a mim o acordo ortográfico só serve para se poder escrever de qualquer maneira. Mas esqueceram-se que não se pode ler de qualquer maneira, e que este acordo só veio fazer desaparecer informação de como se ler as palavras..