sábado, 25 de abril de 2015

Pós 25-A : 41 anos, metade de uma vida.


Vivi metade da minha expectável vida em democracia. Não me posso já queixar de ter começado por 25 anos sob ditadura. E a diferença é tanta que cada dia que passa me apego mais a este regime, cheio de defeitos e perversões, e com tudo isso o único que conheço a garantir alguma paz e sossego, algum progresso e qualidade de vida, alguma vitalidade cultural. Para essas coisas é que a liberdade serve, senão para quê ?

Rio-me dos regimes igualitários em moda na América do Sul, que  tanto entusiasmam o meio das ciências sociais coimbrãs, e onde nenhum desses bens foi conquistado. E rio-me ao comparar esses regimes com o regime que cá saiu do 25 de Abril - e que esteve quase quase a ir pelo mesmo caminho, mas não foi, graças à Europa, graças à escolha da Europa, de nos assumirmos estado europeu, social-democrata e, sim, liberal. Rio-me de mim próprio, quando cheguei a acreditar nessa via populista.

Celebrar o 25 de Abril, só se for para celebrar o que somos hoje, e não o que fomos erradamente num passado recente. Posso estar grato ao Mário Soares que ajudou a escolher o bom caminho nos anos 70-80, mas não a este Mário Soares (e sua corte) que agora deu também em reaccionário, retrógrado, passadista, discursando na vulgata do reviralho, desejoso de repisar dias que se esgotaram sem deixar saudade.

Sossego, qualidade de vida e cultura são as minhas palavras de ordem para progresso, para futuro. Não me venham com igualitarismos. A diferença é mais sadia que a igualdade, a sabedoria das elites mais sadia que a vulgar sensaboria do povo.

Multicolored Carnations, Emily Elman

25 de Abril de 2015

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Ficou a saber-se (ONU) que estamos em 88º lugar no índice de felicidade. Os primeiros 10 lugares são:

Switzerland 
Iceland
Denmark
Norway
Canada
Finland
Netherlands
Sweden
New Zealand
10 Australia










Os que não são europeus, pertencem à herança civilizacional europeia. Onde está a felicidade dos sul-americanos e asiáticos ?

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Grande hipocrisia é a preocupação exacerbada e mediatizada com os desgraçados africanos que fogem para o paraíso Europeu - porque não para África do Sul ? Rússia ? Brasil ? - quando um povo europeu, esse sim, sofre pelo pecado de querer o direito ao seu 25 de Abril, à SUA Europa. Primeiro dêmos as mãos à Ucrânia, às pobres Bulgária e Roménia, aos infelizes gregos. Os norte-africanos e médio-orientais que se governem. Que ponham os seus inimigos fóra de portas, em vez de fugir deles. E o Islão, para começar, fóra do Estado.


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