sábado, 6 de fevereiro de 2016

A Danaë de Gentileschi, pai


Encomendada em 1621 para decorar um palazzo em Génova, esta obra de Orazio Gentileschi representa uma cena do mito da princesa Danaë, filha do rei de Argos, enclausurada numa câmara secreta sem portas nem janelas - só uma clarabóia - para se manter intocada pelos homens. Mas, hélas, não basta protegê-la dos homens: os deuses também "estão loucos", e o malandro Júpiter fica apaixonado mal a vê lá de cima. Aquela chuva de moedas douradas... é assim que Júpiter se materializa para engravidar a bela Danaë, enquando o cúmplice Cupido abre as cortinas para a entrada do deus. E assim nascerá Perseu, que acidentalmente virá a matar o avô - o tal rei de Argos - como o destino mandava.


Orazio Gentileschi, figura importante do barroco italiano, nasceu em Pisa, morreu em Londres, mas viveu sobretudo em Roma na companhia de Caravaggio, no séc. XVII; em 1621 iniciou um período de viagens, começando por Génova, depois Turim, Paris e Londres. O seu talento transmitiu-se à filha, Artemisia Gentileschi, que já mencionei aqui. Nesta Danaë nota-se a mestria de Orazio com a luz e as texturas - seda, linho, metais - e uma dinâmica de composição classicamente perfeita.


Veio agora à luz da ribalta porque foi a grande operação da Sotheby's neste início do ano. Antes da venda, a Sotheby's expôs a obra em Nova Iorque, Los Angeles e Londres. Há muito que nenhuma pintura italiana desta época ia à praça, daí os 30.5 milhões pagos no leilão pelo J. P. Getty Museum de Los Angeles, onde vai ficar exposta na companhia de Lot e as suas Filhas, a outra obra prima de Orazio Gentileschi:


Para os felizes que lá puderem ir.


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Há outras Danaë famosas, de Rembrandt e Klimt por exemplo.


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