sábado, 15 de janeiro de 2011

Julia Lezhneva, soprano

Será a voz que faltava , a Caballé do séc XXI ?

Já o Outra Escritas se lhe referia há meses, aqui.

A soprano russa Julia Lezhneva é ainda uma jovem de 21 anos ( nasceu em 1989, na ilha Sakhalin) cuja carreira, depois de grandes sucessos em Moscovo e S. Petersburgo, começou realmente o ano passado em Londres. Muito versátil e com enorme extensão vocal, o reportório de Lezhneva vai desde o barroco ao bel canto e ao romântico: Vivaldi, Broschi, Bach, Handel, Mozart, Rossini, Bellini e Donizetti...

Na sua discografia, salienta-se o Ottone in Villa de Vivaldi, com o Giardino Armonico.

Em 2008, a voz era ainda muito verde e rígida. Está mais solta, a firmeza, segurança e facilidade notam-se tanto no agudo como no grave. Falta-lhe a maturidade de timbre, talvez por uma certa indefinição entre soprano e mezzo; esperemos que venha com o tempo.

R. Broschi, Son Qual nave ch'agitat',com os solistas de Trondheim
G.

Händel, Lascia Chio pianga. Soprano; Julia Lezhneva, solistas de Trondheim

sábado, 8 de janeiro de 2011

Eine Faust-Symphonie

Uma obra que bem gostaria de ouvir em concerto (é raro), a "Sinfonia Fausto" (Eine Faust-Symphonie) de Liszt, composta em Weimar,1857.


Espécie de enorme poema sinfónico inspirado no Fausto de Goethe, respira uma poderosa dramaturgia numa orquestração vanguardista e luxuriante, que termina com este "Coro Místico", uma das mais belas páginas de Liszt:


(aqui canta Hans Peter Blochwitz sob Chailly)


(aqui canta Siegfried Jerusalem sob Solti)

Alles Vergängliche
ist nur ein Gleichnis;
das Unzulängliche,
hier wird's Ereignis;
das Unbeschreibliche,
hier ist es getan;
das Ewigweibliche
zieht uns hinan.

Tudo o que é transitório
não passa de alegoria
O que é inadequado
aqui acontece
o indescritivel
é agora realizado
o Eterno Feminino
atrai-nos e eleva-nos

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Ler e Reler: Seda, de Alessandro Barrico


Seda, de Alessandro Baricco

Estamos no séc XIX, numa cidade francesa enriquecida com o negócio da seda. Nas viagens de ida e volta ao Japão para comprar os casulos, o protagonista (pacato homem de negócios sem horizontes) descobre um mundo de fascínio e paixão, que contrasta com a sua vida medíocre. Cada expedição é uma repetição, um eterno retorno, sempre terminada com a esposa que o espera pacientemente. Repetem-se parágrafos inteiros, diálogos, criando um contexto bizarro, em que tudo se concentra num gesto, num olhar. 'Seda' é sobretudo uma história de sensações, e como elas alimentam a memória e a linguagem, por vagas sucessivas, como o mar.

Numa escrita de elegante e depurada simplicidade, um pequeno e leve romance onde a emoção está toda em matizes, em palavras que não são ditas. E um belo documento de História ficcional, também.

(Lido em francês)

Outros livros anteriormente relidos:

O Golpe de Misericórdia, de Margueritte Yourcenar

A Aventura Maravilhosa, de Aquilino Ribeiro

Shroud, de John Banville

O Jogo das Contas de vidro, de Herman Hesse

Um Outro Mar , de Claudio Magris

Ondine, de Friedrich de la Motte-Fouqué

A Invenção de Morel, de Bioy Casares

Um Deus Passeando Pela Brisa da Tarde, de
Mário de Carvalho

"An Equal Music", de Vikram Seth

O Castelo dos Cárpatos , de Jules Verne