terça-feira, 3 de junho de 2025

À Chloris, por Léa Desandre e Thomas Dunford

As canções de Reynaldo Hahn marcaram os anos de paz entre duas guerras conhecidos por Belle Époque - entre a guerra Franco-Prussa e a 1ª Grande Guerra. Foi uma época de bem-estar e esperança no futuro, de renascimento cultural e de confiança na humanidade; pensava-se até na utopia dos Estados Unidos da Europa.

Reynaldo Hahn ganhou prestigio como compositor de canções 'populares' mas 'cultas', que o público feminino adorava. Musicava sobre poemas simbolistas - Verlaine, Daudet, Victor Hugo ...

Este À Chloris faz parte do programa a apresentar pela Soprano Léa Désandre e o alaúdista Thomas Dunford no FIME de Espinho a 28 de Junho.

 


Outra canção francesa belíssima, esta de Barbara:

domingo, 25 de maio de 2025

Quatro memórias da Galiza de um café frente ao mar


Algumas das boas memórias que tenho das férias na Galiza têm a ver com estar sentado numa esplanada frente ao mar, num dia quente de Verão, a tomar um cafezinho. Na Galiza a qualidade do espresso varia muito, desde marcas portuguesas - Candelas - a outras melhores como a Illy; mas tive quase sempre sorte neste locais.

Tenho saudade dessas praias galegas, sobretudo as do Grove, pequenas e bonitas, limpíssimas, e a da Pragueira, onde passei horas inesquecíveis. Praia e comida boa, eram as férias baratas ao alcance das nossas bolsas nesses anos 2002/3/4/5.


- Terraço do Samar sobre a praia da Lanzada




- Café Sotavento em Portonovo, de frente para a ria

Já não existe, o Sotavento, substituído por outro sem a mesma graça. Estava no alto de uma rampa panorâmica na penísula de Punta Cepelo, na Avenida de Pontevedra, com um miradouro em frente.






Miradouro de O Cepelo
 
As ilhas Ons no horizonte.
 
- Esplanada do Almar na Praia da Pragueira

A Pragueira é favorita de vários anos. Um acesso apenas visível da estrada litoral indica "Aparthotel Almar". Nada nos prepara para o magnífico e vasto crescente de areia branca que a maré vaza decora com belas formações rochosas, cheias de
 algas e de pocinhas. Lambra um poco o Baleal Norte, mas com uma mar suave.
 



Estivemos sempre na Pragueira assim, sem gente, mesmo em Julho ou Agosto.


- 'O Pirata' em S. Vicente do Grove

Aqui era romaria certa todos os anos. O sítio é excepcional até porque muito perto fica o passadiço de madeira sobre estacas que é uma das maiores maravilhas da península.


Em frente tem um relvado sobranceiro à praia onde costuma instalar serviço de esplanada; é preciso sorte para arranjar mesa...



Sendero de Pedras Negras

Ao longo do passadiço, com as ilhas Ons ao longe.

- As Pipas do Grove

No Grove, as praias são as melhores da Galiza. pequenas enseadas, mais ou menos rochosas, areia muito branca com orla de conchas e algas, águas quase paradas, de azul ou verde transparente com reflexos no fundo. A Barcela - nossa favorita - , Area Grande, Area das Pipas, Reboredo...

A Barcela, dourada e azul com as mexilhoeiras ao longe


Area das Pipas

O que melhor aqui lembro ao sair da praia é o pequeno restaurante As Pipas e as suas merluzas - a la gallega (a melhor) , à romana, na plancha.
 

Plataformas mexilhoeiras na luz do sol poente.

A Galiza é um mundo. Há países grandes mais pequenos.

 



domingo, 18 de maio de 2025

Vøringsfossen, na Noruega, a minha mais grandiosa cascata + cerejas Morello

Não fomos às Américas nem a África, nem lamento por aí além - só um bocadinho, ao Canadá gostava de ter ido. Vimos as tumultuosas Rheinfall no Reno suíço, vimos a Pistyl Rhaeadr no País de Gales, mas as nossas mais espectaculares cascatas foram na Noruega, e de todas há três inesquecíveis: a Steinsdalfossen, um jorro brutal que vemos cá de baixo, a cascata dupla Låtefossen, e a brutal Vøringsfossen. Esta última, a ter de escolher, é a minha campeã.

Estivemos na Noruega em 1998, sediados em Bergen. Daí até à cascata, pela estrada Fv 7 ao lado do Herdangerfjord e do Lago Eidfjord, são 170 Km, que levaram mais de 4 h com as paragens. Mas chegámos.

As águas do rio Bjoreio caem 182 metros, sendo 145 em queda livre. O rio prossegue depois num canyon entre altas paredes rochosas.

 
Na altura havia uma plataforma de observação, mas nada do que existe agora: um sistema de  passadiços metálicos que atravessam o Canyon.
 
 
O arco-íris forma-se sempre que há sol.  

Era já tarde e a fome apertava. No regresso havia na berma da estrada uma venda de cerejas, grandes e escuras, carnudas. Soube depois que se chamam "Morello". 
 
 
13 kr. a caixinha, mais de 200$00.
 

Duas experiências marcantes. Não digam que agora é tudo igual em toda a parte.

Voltando ao início do dia: no caminho desde Bergen ladeando o Hardangerfjord, tínhamos passado pela Steindalfossen, ou Cascata de Steindal.
 
 
 
Já era a mais turística das três cascatas..


Mais adiante, ainda na Fylskevei 7, surge Eidfjord, entre paisagens de postal, sobretudo no Lago Eidfjord e em Simadal - onde se disfrutam vistas dos fiordes assombrosas:
 

 
Actualmente estes sítios já não são visitáveis em paz e sossego: multiplicaram-se lojas e lojinhas turísticas e as camionetas chegam e partem constantemente. Tivemos a sorte de estar com a paisagem por nossa conta.

 
No dia seguinte iríamos para sul de Bergen, no Sørfjorden, onde nos surpreenderam as gémeas Låtefossen.

 
O ruído ensurdecedor aumenta o impacto das violentas torrentes. Já era um pouco tarde e a luz enfraquecia, embora em Bergen ficasse dia até perto das 23h.


Nunca fui ao Norte Ártico, com muita pena; o mais próximo foi a Noruega, os seus glaciares e as Stavkirker, as igrejas de madeira nórdicas dos primeiros anos de cristianização. E estas cascatas, quase directas das águas dos glaciares.