quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Obras primas absolutas da música - IV: Mozart

Mozart nasceu "hoje", a 27 de Janeiro de 1756. Esta é também uma homenagem.

Hesitei muito em escolher a "obra prima absoluta" de Mozart - entre óperas, música litúrgica e concertos não faltam obras assombrosas. Acabei por optar por uma composição "pequena" mas onde a sua genialidade é evidente: a ária “Ch’io mi scordi di te…Non temer, amato bene”

É talvez a mais famosa ária de concerto de Mozart. Composta para a soprano Nancy Storace (1761 - 1817), uma estrela da época que ganhava fortunas, é uma ária operática "séria". O manuscrito tem data de 1786, e o texto pertenceria ao 2º acto do Idomeneo. Tem uma parte para piano obbligato, sem dúvida tocada pelo próprio Mozart na estreia em Fevereiro de 1787.

É particularmente invulgar e imaginativa a 2ª parte da ária, mais rápida, em que incursões vocais sem acompanhamento ("sempre il cuorsaria," "stella barbare," "stella spietate!") alternam com rápidos frases no piano. À voz, exige-se um canto dramático, capaz de exprimir as mudanças de estado e contrastes emotivos da personagem.

Duas gravações: a primeira, muito celebrada, de Bartoli:

Cecilia Bartoli (sop) Mitsuko Uchida(pf) Riccardo Muti/ Fil. Viena


A segunda, mais a meu gosto, de Edith Mathis :

Ch'io mi scordi di te?
Che a lui mi doni puoi consiglarmi?
E poi voler che in vita? Ah no!
Sarebbe Il viver mio
di morte assai peggior.
Venga la morte
intrepida l'attendo
Ma, ch'io possa struggermi ad altra face
ad altr'oggetto donar gl'affetti miei
come tentarlo?
Ah di dolor morrei!

Non temer amato bene
per te sempre sempre il cor sara.
Piu non reggo a tante pene
l'alma mia mancando va.
Tu sospiri? O duol funesto!
Pensa almen che istante e questo.
Non me posso, o dio, spiegar
Stelle barbare! Stelle spietate!
Perche mai tanto rigor?
Alme belle che vedete
le mie pene in tal momento
dite voi s'egual tormento
puo soffrir un fido cor?

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