domingo, 16 de maio de 2010

Beleza que vem com a idade


A nostalgia dos nossos corpos jovens e daqueles que conhecemos faz parte das amarguras que a vida nos traz; mesmo assim, há coisas que podemos valorizar em nós e nos outros com o avançar da idade, descobrir insuspeitas belezas e mesmo aprender a amar. Uma ruga, um olhar cheio de memória, uma mão com história, uma pele tostada, e muitos muitos traços que se reforçam ou atenuam com o tempo e trazem outro encanto. Devo dizer que nunca achei a minha mãe tão bonita como agora; e algumas senhoras aqui abaixo fotografadas como Liv Ullman ou Judy Densch exercem uma nova mas inegável sedução. Será que se passa o mesmo com Newman ou Cohen para as senhoras?

Há pouco a Gi escrevia sobre o assunto no Garden of Philodemus. Esta é uma pequena homenagem à beleza da maturidade.


8 comentários :

Gi disse...

Ah, caríssimo Mário, e ainda não cheguei à fase, mas essas mulheres chegaram, de ouvir alguém dizer: Devia ser bonita quando era nova...
E é verdade que algumas (e alguns, embora não o Paul Newman) fizeram-se bem bonitas/os com a idade.

Mário disse...

Bom, eu já cheguei à fase "ainda se aproveita", "está muito bem conservado". Irrita-me solenemente. Só desejo ficar com o cabelo completamente branquinho e sem dores de coluna, que são o meu martírio.

E insisto: se era bonita em nova, bonita é em madura , só que a beleza é outra. Não sou malandro, mas observo isso nas minhas colegas: mesmo com mãos envelhecidas e rugas nos olhos, se forem confiantes no seu charme e sobretudo se se rirem, forem divertidas e amáveis, adquirem uma beleza cativante de "lady of a certain age".

Que interessa a raiz do cabelo ou o descair do rabo (aliás disfarçável): oa valores sensuais também evoluem com a idade, nada me sensibiliza tanto como ver dois velhinhos de mão dada num banco de jardim a apanhar sol. Se calhar, quando eram mais novos, passavam a vida a resmungar um com o outro...

Seu,
Man of a certain age

Paulo disse...

Gi, o Paul Newman nesta foto já estava muito velhinho, mas conservou-se como um dos homens mais bonitos de sempre até muito tarde. E sempre ao natural, penso eu.

Paulo disse...

E quem não se comove com a cena de "Saraband" em que Liv Ullmann e Erland Josephson aparecem nus sem qualquer ponta de preconceito?

Mário disse...

Paulo,

ainda bem que partilha comigo o espanto maravilhado peante essa cena de Saraband. Nunca visto antes em cinema, penso. E com tanta delicadeza e sensibilidade.

Carlos Pires disse...

QUANDO FORES VELHA

Quando fores velha, grisalha, vencida pelo sono,
Dormitando junto à lareira, toma este livro,
Lê-o devagar, e sonha com o doce olhar
Que outrora tiveram teus olhos, e com as suas sombras profundas;

Muitos amaram os momentos de teu alegre encanto,
Muitos amaram essa beleza com falso ou sincero amor,
Mas apenas um homem amou tua alma peregrina,
E amou as mágoas do teu rosto que mudava;

Inclinada sobre o ferro incandescente,
Murmura, com alguma tristeza, como o Amor te abandonou
E em largos passos galgou as montanhas
Escondendo o rosto numa imensidão de estrelas.

Yeats

Mário disse...

Obrigado, Carlos, magnífico Yeats, embora neste caso não venha em ajuda da minha tese...

Carlos Pires disse...

Mário:

A interpretação da poesia talvez sempre um pouco subjectiva. Quando leio aquele poema imagino sempre a Katharine Hepburn - velha, enrugada e... bela.